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'Esquerda autoritária achava que mudaria o mundo sozinha', diz Haddad

Em entrevista ao 'Estado', ex-ministro se reafirma como socialista e tenta explicar possível aliança com Kassab

11 de fevereiro de 2012 | 22h 46
Fernando Gallo

"O tempo livre, a alma e, quem diria, uma prótese de primeira natureza, tudo é insumo precioso na busca do lucro. Sob o pretexto de satisfazer as necessidades humanas, a parafernália capitalista não faz mais do que zelar pela sua perpetuação, rebaixando os homens a meios de sua própria conservação." Talvez pudesse ser Marx, mas é um autêntico Fernando Haddad, atirando contra o sistema.

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O intelectual, confrontado com o hoje candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, ainda se classifica como socialista, mantém a crítica à "esquerda autoritária" e não dá sinais de que pretende rever o que escreveu. Assegura que algumas "ideias-força" de suas obras permanecem atuais e, quando questionado sobre como defender o socialismo depois de eventual aliança com o PSD do prefeito Gilberto Kassab, se justifica: "O grande erro da esquerda autoritária foi imaginar que não precisava de ninguém".

O ex-ministro recebeu o Estado na sede do PT nacional em São Paulo para falar sobre os livros e situações políticas contemporâneas que parecem se chocar com suas antigas ideias.

"Em defesa do socialismo - Por ocasião dos 150 anos do Manifesto", referência à obra comunista de Marx e Engels, é a obra mais política da bibliografia de Haddad, que ainda conta outros quatro títulos. Era 1998, último ano do primeiro mandato de FHC, quando o ex-ministro da Educação lançava a obra pela editora Vozes.

Sobre o modelo soviético, escreveu que "ruiu em boa hora, tirando dos ombros socialistas um fardo político descomunal".

Em 2001, na exposição que originou o livro sobre cooperativas, argumentou: "O PT deveria empunhar com mais brio a bandeira do socialismo". Hoje diz: "Podemos nos valer dessa bandeira com tranquilidade". Leia a íntegra da entrevista.

 

 




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