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‘Estado’ é premiado por revelar atos secretos

Reportagens sobre desmandos no Senado rende prêmio de investigação jornalística na Argentina

05 de setembro de 2010 | 21h 18

O Estado recebeu no sábado, em Buenos Aires, o prêmio de investigação jornalística na América Latina concedido pelo Instituto Prensa y Sociedad (Ipys) e pela organização Transparency International. A premiação foi concedida aos repórteres Rosa Costa, Leandro Colon e Rodrigo Rangel pela série de reportagens que revelaram, em 2009, a existência dos atos secretos do Senado e os benefícios ilegais patrocinados pelo presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP).

Junho de 2009. A reportagem que deu início à série premiada - Reprodução
Reprodução
Junho de 2009. A reportagem que deu início à série premiada

O jornal mostrou que mais de 300 boletins sigilosos nomearam familiares e aliados de José Sarney, entre eles sobrinhos e até o namorado da neta. Na mesma série, o Estado revelou que a Fundação Sarney desviou R$ 500 mil de patrocínio de R$ 1,3 milhão da Petrobrás para empresas fantasmas, de fachada ou da família do senador. O senador também ocultou da Justiça a casa de R$ 4 milhões onde vive em Brasília, no Lago Sul. Os repórteres mostraram ainda que um neto de Sarney intermediou a venda de empréstimos de crédito consignado dentro do Senado.

As reportagens já haviam recebido o Prêmio Esso de Reportagem, a principal premiação do jornalismo brasileiro. O reconhecimento internacional veio sábado, na edição de 2010 do Congresso Latino-Americano de Jornalismo Investigativo (Colpin), que começou sexta-feira e termina hoje. Ao todo, foram 230 trabalhos inscritos, de mais de 20 países da América Latina e Caribe. O Estado era o único representante brasileiro entre os 15 finalistas.

Na manhã de ontem, após receber o prêmio, os repórteres apresentaram os detalhes da investigação aos participantes do Colpin. Além deles, o jornalista do Estado Leonêncio Nossa também ministrou uma palestra a convite da organização do evento, que destacou a qualidade do seu trabalho Araguaia. Em junho de 2009, com base em documentos do major Sebastião Curió, o repórter mostrou que, dos 67 integrantes da guerrilha do Araguaia, 41 foram presos e executados, quando já não ofereciam risco aos militares.

Grampos ilegais

O trabalho sobre o caso Sarney foi um dos três premiados na cerimônia ocorrida na noite de sábado no Palácio Duhau, na capital argentina. Os repórteres ganharam o segundo prêmio e receberam, além de um diploma, US$ 10 mil. A revista colombiana Semana levou o primeiro lugar com a revelação de que a polícia secreta da Colômbia fez escutas telefônicas ilegais de políticos, jornalistas, magistrados, intelectuais, e até de oficiais de governo próximos ao ex-presidente Álvaro Uribe.

A terceira colocação ficou com o mexicano Oscar Martinez, do site elfaro.net, que publicou reportagens sobre as máfias que lucram com pessoas que tentam cruzar ilegalmente a fronteira para os EUA. É a primeira vez que um site é premiado.

A direção do Ipys – instituto com base no Peru e responsável pelo prêmio – destacou o esforço jornalístico da equipe do Estado. “O caso Sarney é uma investigação jornalística que buscou recursos do próprio jornalismo, com documentos e indagações complementares. “Participaram do prêmio os principais meios de comunicação da América Latina e o denominador comum é mostrar que o resultado das reportagens é fruto de uma investigação própria”, ressaltou Ricardo Uceda, diretor executivo do instituto.




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