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'Estagiários asiáticos' ameaçam empregos de brasileiros no Japão

Mão-de-obra filipina, mais barata, dificulta ainda mais situação de dekasseguis.

22 de dezembro de 2008 | 8h 21

As indústrias japonesas estão contratando "estagiários" de outros países asiáticos a um baixo custo, ameaçando a mão-de-obra brasileira no Japão.

Somente na cidade de Minokamo, na província de Gifu, por exemplo, o número de filipinos cresceu quase três vezes mais do que o de brasileiros no último ano. O município abriga hoje 3.747 brasileiros e 1.489 filipinos.

Os brasileiros e filipinos concorrem principalmente às vagas na fábrica local da Sony. "A vantagem deles (filipinos) é que não reclamam do serviço e nunca faltam", analisa Márcio Nakamura, funcionário de uma empresa de recursos humanos que emprega brasileiros e filipinos na indústria.

"Esses estagiários são uma mão-de-obra muito barata para o Japão", explica o professor Edson Urano, da Universidade Sophia de Tóquio.

Especialista na área de relações industriais, sociologia do trabalho e migrações internacionais, o pesquisador revela também que o fato desta população ser migrante, temporária, rotativa e de fácil controle faz com que seja uma boa opção para os empregadores.

"Isso já não ocorre com os trabalhadores brasileiros, que virtualmente possuem direitos trabalhistas, já se fixaram no país e não aceitam um valor muito baixo de salário", compara o professor.



Tópicos: Economia, Trabalho, Japão

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