Evento sobre mulheres foca violência doméstica
A questão da violência doméstica e a diminuição da desigualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho deverão pautar as discussões da 3ª Conferência Nacional de Políticas Para as Mulheres, que terá na abertura a presença da presidente Dilma Rousseff. A mudança na agenda de Dilma, que não previa a participação da presidente no evento, foi confirmada pela assessoria do Planalto na tarde de hoje. A conferência começa hoje, às 18 horas, e prossegue até a quinta-feira, em Brasília, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães.
"Nessa conferência temos como objetivo a consolidação da política nacional de enfrentamento à violência, de acordo com o caráter e a estratégia da presidente Dilma, e a questão da autonomia econômica e financeira das mulheres", disse a ministra Iriny Lopes, da Secretaria de Políticas para as Mulheres.
Iriny destacou que o País não possui uma legislação que "identifique e assuma a desigualdade que ainda predomina entre homens e mulheres no mundo do trabalho". Ela defendeu a aprovação do projeto de lei 6653/2009, que proíbe práticas discriminatórias nas relações de trabalho. "Temos hoje mais escolaridade que os homens, no entanto somos a maioria da mão de obra informal. As mulheres ainda ganham 30% a menos que os homens para a mesma função", comentou a ministra.
Questionada sobre a questão do aborto, que ganhou força na campanha eleitoral do ano passado, Iriny disse que esse é um tema que perpassa a sociedade de maneira permanente, não dizendo respeito apenas à conferência. "(O aborto) É um debate autônomo, que ocorre em tempo real, todos os dias, nos fóruns mais diferenciados. Agora sobre isso já expressamos a posição, a presidente teve compromisso com o País durante o processo eleitoral, ela cumpre esse compromisso de respeito à legislação vigente em todos seus aspectos", afirmou.
Quanto às especulações de que a pasta das Mulheres seria fundida à Secretaria de Direitos Humanos, Iriny respondeu: "Não posso trabalhar sobre especulações, a presidente Dilma já disse diversas vezes que não vai retroceder nas conquistas do povo brasileiro, não há uma discussão sobre isso. Fico até curiosa de onde surge tudo isso".
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