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Ex-diretor de Chalita diz ter recebido oferta de analista que acusa deputado

De acordo com Milton Leme, Roberto Grobman teria feito a proposta em nome de Walter Feldman, do PSDB

27 de fevereiro de 2013 | 14h 48
Daniel Bramatti, de O Estado de S.Paulo

Milton Leme, ex-diretor de Tecnologia da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), disse ao Estado ter recebido uma oferta de R$ 500 mil para dar respaldo às denúncias do analista de sistemas Roberto Grobman, que acusa o deputado Gabriel Chalita (PMDB-SP) de ter recebido propina de empresas quando era secretário estadual de Educação (2002-2006). Segundo ele, Grobman afirmou que a proposta viria do deputado Walter Feldman (PSDB-SP), então um dos coordenadores da campanha de José Serra à Prefeitura, e "do partido". Reportagem desta quarta-feira, 27, do Estado mostra que o analista foi levado ao Ministério Público por assessor político do comitê tucano

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Leme diz ter recebido a oferta de dinheiro uma semana depois de se encontrar com Grobman e Feldman em um shopping de São Paulo, durante a campanha eleitoral do ano passado. O ex-diretor da FDE respondia a ação de improbidade - ele era suspeito de antecipar de forma ilegal pagamentos para uma empresa contratada pelo órgão. Ao Estado, o analista de sistemas afirmou que Leme "fazia a coleta" de "caixas de dinheiro" que seriam levadas ao apartamento de Chalita e que pagou gastos pessoais do então secretário com recursos vindos do grupo educacional COC. O deputado nega as acusações. Leme disse "desconhecer esse tipo de prática".

"Ficou claro que o objetivo era me apresentar pessoalmente (a Feldman) para saber das minhas intenções de apoiar ou não uma ação, com a qual não compactuo", disse Leme. "Ele (Grobman) me mandou uma mensagem insinuando que eu estava protegendo algumas pessoas. A contrapartida fica evidente, que eu deixasse de proteger alguém."

Como começa seu envolvimento neste caso?
Em outubro do ano passado, recebi uma ligação de Roberto Grobman, que me convidou a encontrá-lo no Shopping Higienópolis, para que pudesse me apresentar a uma pessoa que seria muito importante para mim. Nós fomos à praça de alimentação do shopping e ali estava um movimento do então candidato (a prefeito de São Paulo pelo PSDB) José Serra. O sr. Walter Feldman saiu da comitiva que estava com Serra e veio sentar-se à mesa, com Roberto e comigo. Feldman disse: "Nós já conhecemos a sua história. Nós já estamos com o Robeto há algum tempo e queríamos dizer que você pode contar conosco se estiver precisando de alguma coisa. Você tem algo a falar para nós?" Eu disse que havia sido diretor da FDE e que queria encerrar um processo em andamento, dentro dos trâmites legais. Ele se despediu e saiu. Passada uma semana, eu recebi uma ligação do Roberto. Ele queria saber se R$ 500 mil cobririam os danos que eu havia sofrido com o processo. Ele disse: 'A pessoa que eu te apresentei tem força. Eu estou muito bem e queria que você também estivesse. Queria saber se você vem comigo nessa'. Eu cortei a ligação.

Ao chamá-lo para o encontro, Roberto Grobman citou a possibilidade de resolver a questão do processo?
Essa foi a abertura da conversa. Ficou claro que o objetivo era me apresentar pessoalmente para saber das minhas intenções de apoiar ou não uma ação, com a qual não compactuo.

O processo era relacionado à FDE?
Foi aberto um processo de improbidade administrativa relacionado ao projeto Canal do Saber, que foi suspenso. Meu interesse era saber se havia uma forma de contratualmente resolver o projeto. Me parece que o que queriam eram factoides ou coisas que eu não teria como dizer. O Roberto me procurou novamente há uma semana, questionando se eu estava do lado dele ou não e que tomasse uma decisão. Eu disse que estava do lado da verdade. Então aí fica claro qual era a intenção. Ao não dar informações inverídicas, comecei a receber informações inverídicas a meu respeito. O Roberto provavelmente está mobilizado por interesses políticos. É uma pessoa que tem um conhecimento tecnológico importante, capaz de manipular e-mails, documentos. Me parece que ele precisava de uma sustentação de uma pessoa que tinha uma carreira profissional. Eu não sou da política.

O sr. lembra das palavras que ele usou ao fazer a oferta de dinheiro?
A oferta partiu do Roberto depois de ele me apresentar ao Feldman. Depois ele me ligou dizendo que a oferta vinha do partido, vinha do Feldman. Perguntou se R$ 500 mil compensariam meus prejuízos.

Ele esclareceu que contrapartida ele esperava?
Ele me mandou uma mensagem insinuando que eu estava protegendo algumas pessoas. A contrapartida fica evidente, que eu deixasse de proteger alguém.

A acusação é que o sr. estava protegendo Chalita?
Eventualmente sim, porque está claro que há um movimento político importante de tentar desmoralizá-lo.

Roberto Grobman disse que o senhor transportava dinheiro em caixas. O senhor nega?
Desconheço completamente esse tipo de prática.

Quando entrou na Secretaria da Educação, em 2005, o sr., já havia tido contato com o então secretário Chalita?
Nunca havia visto. Participei de uma entrevista de seleção com o secretário adjunto, Paulo Barbosa. Depois fui apresentado ao então secretário, que me cumprimentou. / Colaboraram Bruno Boghossian, Fausto Macedo e Julia Duailibi

 





Tópicos: Gabriel Chalita

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