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Ex-marido de Dilma quer que Comissão da Verdade investigue empresários

Carlos Araújo apontou membro da cúpula da Fiesp de financiar a repressão na ditadura militar

18 de março de 2013 | 15h 26
Elder Ogliari - O Estado de S. Paulo

Texto atualizado às 16h57

PORTO ALEGRE - O advogado Carlos Araújo, ex-deputado estadual do Rio Grande do Sul pelo PDT e ex-marido da presidente Dilma Rousseff, pediu nesta segunda-feira, 18, que a Comissão Nacional da Verdade investigue também os empresários brasileiros que financiaram a repressão na apuração que está fazendo sobre violações aos direitos humanos no período de 1946 a 1988, durante depoimento prestado nesta segunda-feira, em Porto Alegre.

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"Tenho certeza de que a Comissão da Verdade vai entrar no antro da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) que foi responsável não só por financiar, mas também por assistir e estimular a tortura", afirmou. Araújo sustentou que havia empresários que iam para a sala de tortura estimular os torturadores e se envaidecer com a tortura de militantes contrários ao regime. E apontou Nestor Figueiredo, "que até hoje está na cúpula da Fiesp", como um dos envolvidos com o financiamento à repressão. A Fiesp comunicou que eventos do passado que contrariem os princípios da democracia devem ser apurados. A entidade informou ainda que o nome de Nestor Figueiredo, citado pelo ex-deputado, não consta nos arquivos da federação.

Em fevereiro, o Estado informou que registros de quem entrava e saia da ala reservada à diretoria no antigo edifício do Departamento de Ordem Política e Social de São Paulo (Dops), no centro da capital, comprovava a relação que existia entre forças militares e civis nas ações de repressão política, no período mais duro da ditadura, no início da década de 1970. Entre eles, destacava-se Geraldo Resende de Mattos, cujo nome aparece sempre seguido pela sigla Fiesp.

Mattos morreu de enfarte em 2002, aos 65 anos. Segundo a Fiesp, ele nunca figurou no seu quadro de funcionários. Um parente próximo, que pediu para não ser identificado, contou que ele trabalhava para o Serviço Social da Indústria (Sesi). Consultado na sexta-feira pela reportagem, o Sesi pediu mais tempo para verificar a informação.

O presidente da comissão, Paulo Sérgio Pinheiro, ressaltou que uma das linhas de trabalho da equipe que coordena é o financiamento à repressão, admitindo que o assunto é "delicadíssimo". Araújo, que participou da luta armada contra a ditadura, foi preso e torturado no Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) de São Paulo.

COLABOROU RICARDO CHAPOLA




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