Expedição flagra garimpo ilegal no rio Boia
Balsa e equipamentos são encontrados próximos ao rio e há indícios de que o local foi deixado recentemente

A expedição da Frente Etnoambiental Vale do Javari, realizada pela Funai em parceria com o Centro de Trabalho Indigenista, encontrou nesta quinta-feira (11) uma balsa de garimpo quando navegava pelo rio Boia, afluente do rio Jutaí, a 405 quilômetros da cidade de Jutaí (AM). O garimpo no rio com uso de mercúrio é altamente tóxico e configura crime ambiental.
A balsa, com 15 metros de comprimento e casco de madeira, estava estacionada em um igarapé menos de um quilômetro do rio Boia. Não havia ninguém a bordo. Equipamentos estavam cobertos com lona e há indícios de que o local foi deixado recentemente, com mato cortado há menos de 24 horas. Suspeita-se que os garimpeiros tenham tentado esconder o equipamento ao perceber a presença da expedição.
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Ao menos quatro garimpeiros são necessários para fazê-la funcionar. Um mergulhador opera a bomba de sucção no fundo do rio, que retira o cascalho. Outros três permanecem na balsa, manejando nas esteiras o material retirado, até que o mercúrio é utilizado para separar o ouro dos detritos.
Os membros da Frente de Proteção Etnoambiental fotografaram a balsa e marcaram as coordenadas do local com ajuda de localizador via satélite. O chefe da expedição, Rieli Franciscato, já informou a localização exata do garimpo à Funai em Tabatinga (AM), e pediu intervenção da Polícia Federal e do Ibama.

Banco de areia deixado por garimpeiros no rio Boia. Foto: JF Diório
A base mais próxima da PF, chamada Anzol, fica no rio Solimões, perto da cidade de São Paulo de Olivença (AM), distante ao menos mil quilômetros do local. O escritório local do Ibama fica em Tabatinga, 280 quilômetros mais acima, também às margens Solimões.
RELATOS
Com a constatação da existência da balsa, a expedição confirmou relatos sobre o trabalho de garimpeiros na região do rio Boia. Quatro dias antes, em Jutaí, moradores alertaram a expedição, mas não souberam precisar o número de balsas ou de trabalhadores que seriam encontrados.
Ribeirinhos também confirmaram a existência de garimpo no rio Boia, e acrescentaram que há pelo menos mais quatro balsas trabalhando no rio Jutaí, o principal da região. No entanto, a expedição não passará pela área e as informações ainda precisam de confirmação.
BOIA, UM RIO DESTRUÍDO
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