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Garibaldi quer PF fora da investigação sobre grampo

Senador disse que as novas denúncias, apresentadas pela revista 'IstoÉ' 'precisam ser apuradas urgentemente'

06 de setembro de 2008 | 17h 13
LEONARDO GOY - Agencia Estado

Diante da informação de que ex-arapongas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) se instalaram na sede da Polícia Federal (PF), durante a Operação Satiagraha, o presidente do Congresso, senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), pediu neste sábado, 6, que o governo reveja a decisão de entregar à própria PF a investigação do grampo de uma conversa telefônica entre o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). Garibaldi disse que as novas denúncias, apresentadas pela revista IstoÉ "precisam ser apuradas urgentemente".   Veja também:  Espião da Abin coordenou na PF todas as escutas, diz revista  Espião do caso Correio é investigado  Felix confirma presença na CPI dos Grampos na terça  Oposição pede que MP investigue grampo ilegal no STF  Ministro diz que há 'banalização' de grampos no País   A crise do grampo 

Ele considerou "particularmente grave a suspeita", a informação de que parte dos agentes e ex-agentes da Abin teria se instalado, ainda que clandestinamente, dentro do prédio da PF, em Brasília. "Esses fatos revelam um espectro ainda maior da chamada rede de escuta ilegal, principalmente porque vincula a própria Polícia Federal a essas operações. E é a PF que está investigando o caso relacionado ao diálogo do ministro Gilmar com o senador Demóstenes".

Reportagem publicada na edição desta semana da IstoÉ identifica no agente Francisco Ambrósio do Nascimento, da Abin, o espião que coordenou na PF uma equipe que fez a escuta de 18 senadores, 26 deputados, de ministros do Judiciário, da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e do secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho. Conforme a reportagem, Nascimento, ex-agente do extinto Serviço Nacional de Inteligência (SNI), foi uma espécie de braço direito do delegado Protógenes Queiroz na Satiagraha, "funcionando com elo entre Protógenes e agentes da Abin" cedidos à operação.

Ao tomar conhecimento da reportagem, Gilmar Mendes disse apenas que vai esperar o resultado das investigações. "Na segunda-feira darei o depoimento aos advogados. Ontem foi realizada perícia no STF", afirmou o presidente da Corte, acrescentando que, "ao que tudo indica, havia uma ligação entre a Operação Satiagraha e os grampos (em Brasília)".

A assessoria da Presidência disse que não comentaria a reportagem da revista. O general Jorge Félix, chefe do gabinete de Segurança Institucional (GSI), a quem a Abin é subordinada, afirmou apenas que "um dos objetivos do inquérito (da PF) é apurar o papel da agência na Operação Satiagraha, verificando o que as pessoas fizeram e se trabalharam dentro da lei".

A assessoria da PF informou que "ninguém vai se pronunciar porque todos os fatos noticiados estão sob investigação, pela própria PF". Sobre o bloqueio de recursos para a operação de Protógenes, a PF disse que "não há nenhuma restrição a gasto com a intenção de boicotar operações policiais".


  


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