General defende que Brasil desenvolva bomba atômica
Segundo secretário da Defesa, \"no momento em que se sentir ameaçado\", País pode deixar TNP
O Secretário de Política, Estratégia e Relações Internacionais do Ministério da Defesa, General de Exército José Benedito de Barros Moreira, defendeu, na última terça-feira, que o Brasil desenvolva a tecnologia necessária para a fabricação da bomba atômica. O general fez a afirmação, com espontaneidade e franqueza, ao responder à pergunta de um telespectador do programa Expressão Nacional, da TV Câmara.
No mesmo programa, ele disse que o Brasil é alvo de cobiça por ter água, alimentos e energia, o que exigiria "colocar um cadeado forte na nossa tranca". Sobre a bomba atômica, o general afirmou: "Nós temos de ter no Brasil a possibilidade futura de, se o Estado assim entender, desenvolver um artefato nuclear. Não podemos ficar alheios à realidade do mundo".
O general Moreira deixou espantados os deputados Raul Jungmann (PPS-PE)e José Genoino (PT-SP) e o professor Antônio Jorge Ramalho da Rocha, da Universidade de Brasília (UnB), que também participavam do programa.
Encarregado da estratégia e dimensionamento dos meios globais de defesa, o general admitiu que país poderá descumprir o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP). O descumprimento ocorreria, segundo ele, no caso hipotético de um país vizinho fabricar a bomba ou "no momento em que o Estado se sentir ameaçado". Confirmadas essas duas condições, o país estaria autorizado a desrespeitar o tratado e a fabricar a sua bomba atômica.
Na visão geopolítica do general José Benedito Moreira, o mundo estaria cada vez mais perigoso e imprevisível. "Não estou defendendo que desenvolvamos artefato nuclear. Nenhuma nação pode se sentir segura se não desenvolver tecnologia que o capacite a se defender quando necessário", tentou corrigir, diante dos parlamentares dispostos a minimizar a gravidade de suas afirmações.
Genoino chegou a lembrar que "artefato nuclear" é diferente de submarino nuclear, também defendido por Barros Moreira. Jungmann condenou um eventual rompimento do TNP, mas observou que, em tese, entendia o realismo exposto pelo general.
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