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'Governo quer saber quem é parceiro e quem não é', diz Múcio

Ministro nega que 'traições' na votação da CPMF impliquem na perda do cargo de apadrinhados de dissidentes

13 de dezembro de 2007 | 17h 10
LEONENCIO NOSSA E FABIO GRANER - Agencia Estado

O ministro de Relações Institucionais, José Múcio, disse nesta quinta-feira, 13, que após a derrota do governo na votação da CPMF, o Palácio do Planalto vai querer saber quem é parceiro e quem não é. "Não é questão de perder o cargo. Precisamos saber quem é parceiro e quem não é parceiro. Quem quer ajudar a construir o País e quem não quer", disse. O tributo foi derrubado no Senado na madrugada desta quinta por 45 votos a favor e 34 contra. Governo precisava de 49 senadores.   Questionado se o governo irá retirar os cargos de apadrinhados de senadores que votaram contra a emenda que prorrogava a CPMF até 2011, ele respondeu: "essa avaliação não foi feita".   Veja também:   CPMF: da origem ao fim  Governo anuncia pacote pós-CPMF na semana que vem, afirma Mantega  Múcio diz que governo não insistirá mais na CPMF  Lula não cortará PAC nem gastos sociais, diz Bernardo Plano B pode ser aumentar IOF e cortar despesas Senado derruba CPMF. Dê sua opinião   Governo sai derrotado e Senado derruba prorrogação da CPMF     Múcio afirmou que a derrota mostra que o governo precisa se aproximar mais dos senadores e reavaliar a relação com o Senado. Ele destacou que o Planalto fez todos os esforços para aprovar a prorrogação do tributo e lembrou, inclusive, que para facilitar a negociação foram escalados o deputado Antonio Palocci e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos. "Negociamos com as mãos estendidas para não deixar à mercê milhares de brasileiros que dependem da CPMF", disse.   "Nós perdemos para nós mesmos", disse Múcio, lembrando que os votos totais da base aliada teoricamente seriam suficientes para aprovar a prorrogação do tributo. "Os votos que faltaram nós considerávamos base aliada", explicou. Por causa disso, na visão do ministro, é preciso fazer uma reavaliação com o grupo político do governo no Congresso Nacional. Múcio, contudo, não detalhou como aconteceria esse processo.   Para o ministro, o governo errou ao subestimar a situação e deixar a discussão da CPMF chegar até o final do ano. Mas ele ressaltou que o resultado dessa madrugada foi conseqüência de briga política e de uma queda de braço entre oposição e governo, em que não prevaleceu a racionalidade na tomada de decisão.   No entanto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está otimista, segundo Múcio. Ele disse que conversou com o presidente após a votação no Senado e Lula não reclamou do resultado, pois "não é homem de queixas". Múcio afirmou que a derrota na votação da CPMF mostra que existe um grupo de pessoas que não pensa nas próximas gerações, mas somente nas próximas eleições.   'Forças minoritárias'   Múcio disse que o Planalto se sentiu em uma situação confortável, na noite da última quinta, durante as negociações para aprovar a CPMF com o apoio dos governadores tucanos José Serra e Aécio Neves. "A partir desse momento, nos sentimos confortáveis pois figuras expressivas do partido, que fazem oposição ao presidente, que têm perspectiva de poder, trabalharam para que a CPMF fosse aprovada." E ressaltou que os dois trabalharam até o último momento pelo tributo.   A uma pergunta se o "fantasma" do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tinha iniciado de forma decisiva a votação que resultou no fim do imposto do cheque, Múcio respondeu: "Os líderes mais expressivos da oposição trabalharam para que ela fosse aprovada". Múcio evitou generalizar os ataques. "A oposição estava aberta à negociação. Não entendemos porque forças minoritárias tiveram preponderância no seu ponto de vista."   Na linha de ataque aos que votaram contra a prorrogação do tributo, ele disse que prevaleceu no Senado a guerra política, que tirou a racionalidade da discussão e a preocupação com os que seriam prejudicados com o fim da CPMF. Apesar dos ataques, Múcio disse que o governo está disposto a negociar com a oposição no futuro em torno propostas para o País.   Acordo de última hora     O ministro relatou ainda que o governo avaliou que conseguiria fechar na madrugada um acordo com os oposicionistas. Na avaliação dele, a grande maioria dos senadores da oposição queria aprovar a prorrogação da CPMF, porque conhecem a realidade de Estados e municípios.   "A CPMF não tem partido, serve ao País, não é do governo Lula e não é do ex-presidente FHC. Hoje não consegui identificar vencedores. Aquela comemoração (da oposição na madrugada desta quinta) foi momentânea e fugaz e a ressaca dessa vitória vamos conhecer nos Estados e municípios."   Ministro afirmou ainda que a decisão do Senado fez o mercado financeiro, os governadores e todos os que torcem pelo Brasil ficarem preocupados. "É um dia nervoso para todos os que torcem pelo Brasil", disse, destacando as recentes notícias positivas na área econômica, como o forte crescimento do PIB e a elevação do IDH, que colocou o Brasil no grupo de países desenvolvidos.            



Tópicos: Múcio, CPMF

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