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Graziano assume FAO com problemas de caixa

31 de dezembro de 2011 | 8h 09
JAMIL CHADE - Agência Estado

O brasileiro José Graziano assume a direção da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) neste fim de semana. Mas tomará o poder sobre uma organização em crise. Países ricos bloquearam uma elevação do orçamento da entidade e documentos internos mostram que as suspeitas de fraude explodiram.

Até 2013, o brasileiro verá um aumento dos recursos de apenas 1,4%, o que não será suficiente nem para compensar a inflação mundial. No período, o orçamento da FAO prevê US$ 1 bilhão, além de US$ 1,4 bilhão em contribuições voluntárias, valor parecido ao do ano passado.

Os maiores responsáveis pelo congelamento do orçamento foram os governos europeus e dos Estados Unidos, que vêm adotando a mesma posição de austeridade em todos os organismos da ONU. Há poucos dias, a Assembleia-Geral das Nações Unidas aprovou um orçamento para a instituição com redução de 5% de gastos e o corte foi o segundo em mais de meio século de existência da ONU.

Na própria FAO, a crise contribui para a falta de recursos. Quarenta países estão com suas contribuições atrasadas e onze correm o risco de perder o direito de voto porque há mais de três anos não pagam suas contas. Até novembro deste ano, o buraco nas contas por causa de pagamentos atrasados superava a marca de US$ 100 milhões.

Fraude

Se não bastasse a crise financeira, os países ricos vêm adotando a postura de que a entidade deve ser reformada antes de que seja iniciada uma avaliação sobre novos recursos. Baseado em levantamentos feitos por auditores internos, governos europeus e dos Estados Unidos acreditam que a FAO é ineficiente e que dar mais dinheiro não resolveria a fome.



Tópicos: Graziano, FAO

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