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Há 40 anos, embaixador americano era sequestrado

Circunstâncias da morte e destino dos restos mortais de guerrilheiro ainda geram polêmica

04 de setembro de 2009 | 19h 07
Moacir Assunção e Pedro Venceslau, de O Estado de S.Paulo

O embaixador americano Charles Burke Elbrick, em foto de 1969. Foto: Arquivo/AE

SÃO PAULO - O destino dos restos mortais do guerrilheiro Virgílio Gomes da Silva, codinome Jonas, converteu-se em uma das principais polêmica dos últimos dias, exatamente nas proximidades da data em que a ação mais espetacular de que participou, o sequestro do embaixador americano Charles Burke Elbrick, ocorrido em 4 de setembro de 1969, completa 40 anos.

Operário têxtil e sindicalista, com militância na Ação Libertadora Nacional (ALN), Jonas foi o líder da operação que levou a ditadura militar, sob enorme pressão, inclusive internacional, a libertar 15 militantes de esquerda, entre os quais o então líder estudantil e deputado federal cassado José Dirceu e o ex-parlamentar comunista Gregório Bezerra. Na semana passada, o jornal O Globo divulgou um relatório secreto no qual o Exército afirmava que Jonas morrera em função de "ferimentos recebidos".

Os militares sempre negaram que o guerrilheiro, odiado pelos órgãos de repressão, tivesse sido assassinado pelos agentes da Operação Bandeirante (Oban), no quartel da Rua Tutóia, em São Paulo. A versão oficial dava conta de que ele havia morrido durante a fuga, ao ser levado para mostrar um aparelho (imóvel usado pelos militantes) aos seus captores.

Na imagem, os militantes trocados na libertação do embaixador. Foto: Arquivo/AE

Agora, a viúva do guerrilheiro, Ilda Martins Silva, vai entrar com uma ação na Justiça Federal, junto com o Movimento Tortura Nunca Mais, exigindo que o Estado localize e devolva os restos mortais do marido. "Passei a vida com um atestado de morte presumida. Foi quando descobri, pelo Instituto Médico Legal (IML), que o corpo está no cemitério da Vila Formosa e, com o reconhecimento do Exército, quero que eles se responsabilizem por encontrar o túmulo para podermos dar um enterro decente ao Jonas", disse Ilda.




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