Homem de negócios, senador fez fortuna com plantio de soja
Blairo Maggi é apontado como possível substituto para Alfredo Nascimento nos Transportes
SOROCABA - O senador Blairo Borges Maggi (PR-MT) é tido um dos poucos exemplos no País de homens públicos para quem a política tem dado prejuízo. Dono de uma das maiores fortunas do Brasil, seu conglomerado responde por 7% da produção nacional de soja e fatura US$ 2,5 bilhões por ano. Mais de uma vez, quando ainda governador do Mato Grosso e, recentemente, já no Senado, confessou a vontade de deixar a política para retomar a frente dos negócios. O Grupo André Maggi - o nome homenageia o pai de Blairo - ainda figura no topo das empresas agropecuárias do Centro-Oeste, mas reduziu o ritmo em alguns setores.
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Na produção de soja, por exemplo, foi ultrapassado pelo Grupo Bom Futuro, do primo de Blairo, Eraí Maggi. A Amaggi, o braço agrícola do grupo, mantém cinco fazendas espalhadas pelo Mato Grosso, somando 290 mil hectares que produziram, ano passado, 700 mil toneladas de grãos, além de 48,3 mil toneladas de algodão. Curiosamente, o grupo deslanchou graças aos investimentos em transporte e logística. "Estávamos longe de tudo e tínhamos de encontrar saídas para nossa produção", disse Maggi ao Estado, em entrevista no ano passado.
A Amaggi importa fertilizante, exporta grãos e derivados e tem forte atuação nos Estados do Mato Grosso, Rondônia, Amazonas, São Paulo e Paraná. A estrutura inclui 40 armazéns com capacidade para 2,5 milhões de toneladas, e três indústrias de esmagamento com capacidade para 6,6 mil toneladas/dia. Além da soja, exporta o farelo e o óleo para a Austrália e países da Europa e da Ásia, além de produzir e comercializar sementes. A empresa possui terminal próprio no porto de Santos e rotas de escoamento nos portos de Paranaguá e São Francisco do Sul, além de bases operacionais no exterior. O grupo controla a Hermasa, empresa de navegação que opera nos rios Madeira e Amazonas. Possui ainda duas Pequenas Centrais Elétricas (PCE) em Sapezal - a cidade foi planejada e fundada pelo pai de Blairo.
Apesar da fama de devastador - em 2005, o Greenpeace o agraciou com a Motosserra de Ouro -, Maggi encerrou seu mandato de governador de bem com os ambientalistas. Depois de bater de frente com a então ministra do Meio Ambiente, Marina da Silva, que apontava o Estado de Mato Grosso como campeão em desmatamento, ele criou compensações para produtores que preservassem a floresta. Suas fazendas têm amplas áreas de reserva e, em algumas, é constante a presença de pesquisadores.
Maggi nasceu em São Miguel do Iguaçu (PR) em 29 de maio de 1956 e migrou para Itiquira, no sul do Mato Grosso, para plantar soja. Engenheiro agrônomo e empreendedor, ampliou as áreas de produção e fez fortuna rapidamente. No governo do Estado, tornou-se amigo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e migrou para o PR, deixando o PPS, para compor a base de apoio ao PT. No final do segundo mandato, acenou com a possibilidade de "pendurar as chuteiras". Quando se esperava que deixasse a política para retomar o comando de suas empresas, deixou o governo e se lançou para o Senado.
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