Itagiba quer investigar compras de equipamentos militares
Deputado vai começar a recolher assinaturas para a formação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito
O deputado federal Marcelo Itagiba (PMDB-RJ) anunciou, nesta sexta-feira (11), que vai começar a recolher assinaturas para a formação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as recentes compras de equipamentos militares, fechadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o presidente francês, Nicolas Sarkozy. O parlamentar afirmou querer saber quem são os brokers (intermediários) da operação e pretende apurar se um integrante do Ministério da Defesa ficou hospedado na casa de um dos fornecedores do armamento, durante visita à França. Essas são, de acordo com o deputado - delegado da Polícia Federal e ex-secretário de Segurança do Rio - informações que têm chegado a seu gabinete e cuja veracidade pretende checar.
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"Estamos falando de bilhões de dólares", disse Itagiba. "E para gastar bilhões de dólares, precisa justificar. E também dizer o porquê da escolha. Não houve licitação." Pelos acordos assinados, o Brasil comprará da França quatro submarinos convencionais Scorpène, um casco para o submarino nuclear, um estaleiro para construí-los, uma nova base para operá-los, peças sobressalentes, armamentos (como torpedos), softwares e 50 helicópteros. Os dois países também abriram negociações para a compra, pelos brasileiros, de 36 aviões de caça Rafale, fabricados pela empresa francesa Dassault. Ao todo, os negócios militares Brasil-França preveem um gasto, nos próximos 20 anos, a cifras de hoje, de 12,5 bilhões de euros - R$ 32,7 bilhões.
Itagiba afirmou ter informações que identificam os corretores pelos nomes de José Pinto Ramos, Braga e Roberto - este, supostamente, advogado em São Paulo. O deputado reconheceu não conhecer irregularidades no caso. "É isso que quero saber", declarou. O parlamentar também considerou estranho que o ministro da Defesa, Nelson Jobim, "desautorizasse" o presidente Lula, dizendo, no dia seguinte ao anúncio do fechamento do negócio dos Rafale, afirmando que as negociações ainda estavam abertas. "Hoje (sexta-feira), os jornais dizem que o caça está escolhido politicamente, não tecnicamente", declarou. "Isso está o samba do crioulo doido."
Para constituir uma CPI na Câmara, é necessário ter, no mínimo, 171 assinaturas de apoio. Itagiba disse não ter "bola de cristal" para prever quando conseguirá o número de apoios necessários. "Mas que isso está um escândalo, está", disse. As compras militares brasileiras têm sido objeto de intensa disputa entre possíveis fornecedores. Entre os insatisfeitos, estão a empresa alemã HDW, que oferecera a construção de submarinos convencionais, e a Boeing, fabricante americana dos caças Super Hornet. O governo brasileiro alega que os alemães não constroem submarinos nucleares e afirmam que os EUA não abrem totalmente os códigos-fonte das aeronaves, que permitiriam que os aviões fossem equipados com armamento não-americano.
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