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Mensalao

Jefferson estuda pedir ajuda a líderes do PTB para pagar multa de R$ 724 mil

'Meus companheiros não vão me faltar', disse o delator do mensalão, que conta com amigos como Fernando Collor e Gim Argello

05 de fevereiro de 2014 | 12h 31
Luciana Nunes Leal

RIO - O deputado cassado Roberto Jefferson (PTB-RJ), delator do mensalão, disse nesta quarta-feira, 5, que pensa em pedir ajuda aos principais líderes petebistas, como o senador e ex-presidente Fernando Collor de Mello (AL), para pagar a multa de R$ 724 mil aplicada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no processo do mensalão.

Jefferson descarta fazer uma lista de arrecadação na internet, como os petistas José Genoino e Delúbio Soares. "Não vou fazer lista em site. Não sei e não quero fazer. O PT tem facilidade em arrecadar, todos que têm mandato contribuem mensalmente com o partido. No PTB, os deputados não dão um centavo ao partido", afirmou.

Jefferson afirmou que a primeira providência será vender o escritório que tem no centro do Rio. O ex-deputado acredita conseguir entre R$ 450 mil e R$ 500 mil com o imóvel. Para chegar ao valor total, poderá pedir ao presidente nacional do PTB, Benito Gama, que arrecade contribuições. "Ligo para o Collor, para o Gim (senador Gim Argello), para o Jovair (deputado Jovair Arantes). Peço ao Benito para arrecadar. O Collor não vai se negar, tenho certeza. Meus companheiros não vão me faltar", afirmou Jefferson, por telefone, ao Estado. "Mas, primeiro, vou tentar liquidar (a multa) da minha parte, talvez pedir um parcelamento", disse o ex-deputado, condenado a 7 anos e 14 dias em regime semiaberto.

O ex-deputado disse estar confiante de que STF aceitará pedido de prisão domiciliar que encaminhou no ano passado. Ele acredita que a decisão será tomada no máximo até a semana que vem, já que o último condenado ainda em liberdade, João Paulo Cunha (PT), foi preso ontem. Jefferson reiterou que, por causa de uma cirurgia para retirada de um câncer no pâncreas a que se submeteu em 2012, tem que cumprir uma rigorosa dieta que seria impossível seguir na cadeia.

O ex-deputado disse que aceitaria "sem problema" a determinação de usar uma tornozeleira eletrônica, como sugeriu o secretário de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro (SEAP), Cesar Rubens Monteiro de Carvalho, em resposta a consulta do STF. O secretário disse que o sistema prisional não tem condição de atender às recomendações médicas feitas a Roberto Jefferson, como a dieta controlada. "Ridicularizaram minha dieta, mas é o que tenho que seguir diariamente. Não tenho condição de ficar em um presídio com o que eu como: arroz, pão, massa integrais, queijo magro, proteína, salmão, geleia real. Não é culpa minha, sou um mutilado do aparelho digestivo", afirmou Jefferson por telefone. "Não tenho como comer aquela carne, aquela galinha cheia de óleo. Se isso acontecer, não vou sair do banheiro", afirmou.

Jefferson defendeu que o petista José Genoino também cumpra a pena em prisão domiciliar, por causa dos problemas de coração. Sobre o ex-ministro José Dirceu, que cumpre pena na Penitenciária da Papuda, em Brasília, Jefferson disse que o petista não tem que "sofrer mais que os outros". Dirceu pediu à Justiça autorização para trabalhar em um escritório de advocacia e pretende solicitar também permissão para dormir em casa em alguns fins de semana. "Quem tem direito deve pedir. Ele deve ser tratado como todos os outros, não sou a favor de que ele seja exemplo da austeridade da Justiça. Que se respeite o direito dele. Não quero mal a ninguém, sou condenado como os outros", afirmou. Roberto Jefferson tem ficado a maior parte do tempo na casa da família no município de Comendador Levy Gasparian.






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