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Mensalao

João Paulo Cunha deve ser absolvido na Câmara, diz vice-presidente da Casa

Defensor dos petistas condenados pelo envolvimento no mensalão, deputado André Vargas (PT-PR) afirma que 'não há mais uma maioria pressionando pela cassação'

21 de janeiro de 2014 | 18h 13
João Domingos - O Estado de S. Paulo

Brasília - O vice-presidente da Câmara, deputado André Vargas (PT-PR), acha que a Casa vai rejeitar a cassação do mandato do deputado João Paulo Cunha (PT-SP), condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 9 anos e 4 meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato. João Paulo é o único dos quatro deputados envolvidos no escândalo do mensalão ainda em liberdade e no exercício do mandato, embora o presidente do STF, Joaquim Barbosa, tenha rejeitado seus recursos e decidido que ele deve cumprir a pena.

"O deputado João Paulo é muito respeitado aqui dentro. Sinto isso quando converso com meus colegas. Ele foi presidente da Câmara e goza de muito prestígio", afirmou André Vargas. Ele disse ainda ter informações de que João Paulo não vai renunciar e que do lado do PT não haverá nenhuma pressão para que esse ato ocorra.

"O João Paulo fez um documento de defesa e distribuiu para todo mundo. Está em condições de se defender", afirmou o vice-presidente da Câmara. Ele disse ainda que o voto aberto na sessão de cassação, quando esta for feita, poderá sofrer influência da opinião pública. "Não tem dúvidas de que o parlamentar respeita a opinião pública. Mas não há mais uma maioria pressionando pela cassação".

André Vargas afirmou, mais uma vez, que a seu ver o processo do mensalão foi político e que o julgamento se deu em clima de exceção. "Todos foram julgados sem direito a duplo grau de jurisdição".

Para ele, hoje a sociedade brasileira está dividida em relação ao julgamento do mensalão. "Não é mais uma unanimidade, como se pensou antes. Até articulistas de direita já estão escrevendo que o julgamento do mensalão ocorreu de forma errada". Ele disse que João Paulo quer levantar o debate sobre a possibilidade de estar ao mesmo tempo preso e dar expediente na Câmara. "É um direito dele."

Na manhã de hoje, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), desmarcou reunião da Mesa marcada para o dia 4 do mês que vem para tratar da situação de João Paulo. André Vargas acha que depois de se precipitar, ao convocar a reunião, Henrique Alves reconheceu o erro e recuou. "Não houve o pedido de prisão. Então, o presidente fez o certo, ao desmarcar a reunião".

Pobres. O deputado André Vargas, que sempre defendeu os deputados do PT no processo do mensalão, disse que o fato de o ex-deputado José Genoino ter conseguido R$ 667 mil em doações para pagar a multa imposta pelo STF mostrou que a sociedade está ao lado dos condenados no processo do mensalão. "Nenhum desses condenados do PT se apropriou de dinheiro público ou privado. A população já entendeu isso. E concluiu que o Supremo foi muito severo na aplicação das penas. Então, a sociedade está ajudando os deputados, que são pobres e não têm condição de pagar a multa". No julgamento do mensalão, o STF concluiu que houve apropriação de recursos públicos.

O vice-presidente da Câmara defendeu ainda a iniciativa de José Dirceu, Delúbio Soares e João Paulo, que pretendem recorrer a uma vaquinha semelhante à feita por Genoino para pagar a multa imposta pelo STF. Ele disse que não doou nada para Genoino, por falta de tempo. Para os outros, seguirá a orientação que o PT der e fará o repasse de dinheiro, se essa for a determinação do partido. "O PT entende que eles não desviaram dinheiro. O que houve foi crime eleitoral", disse. "E o STF foi muito rigoroso ao aplicar as penas".






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