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Jucá: 'Ficha Limpa' não deve ser votado à toque de caixa

12 de maio de 2010 | 16h 53
CAROL PIRES - Agência Estado

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), sinalizou hoje que não se esforçará para dar celeridade à votação do projeto "Ficha Limpa", proposta para barrar a candidatura de políticos condenados pela Justiça. O votação da proposta foi concluída ontem à noite pela Câmara dos Deputados e, a partir de agora, será analisada pelo Senado, antes de seguir para sanção presidencial.

Jucá disse que não tem compromisso com a votação do projeto até o dia 5 de junho - data que o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, entende ser a data limite para que o projeto valha ainda para as eleições de outubro. "Não temos que votar o projeto à toque de caixa", disse o senador. Jucá pondera que o projeto pode "a qualquer momento, comprometer a vida das pessoas".

O líder afirmou ainda que pretende "se debruçar" sobre o projeto e, se preciso, apresentar emendas que o alterem. Caso essas emendas sejam aprovadas, o projeto precisaria ser aprovado pelo Senado e depois voltar para uma segunda rodada de votação na Câmara dos Deputados, atrasando, assim, a possível sanção do texto pelo presidente Lula. "Nós vamos votar com tranquilidade. Eu vou me debruçar sobre o projeto e posso propor emendas", completou.

Jucá ainda vetou, de antemão, a possibilidade de um acordo de líderes para dar caráter de urgência ao projeto, como defende alguns senadores. A urgência seria necessária, uma vez que os quatro projetos que tratam do marco regulatório do pré-sal (matéria prioritária para o governo neste momento) têm prioridade na fila de votação.

Pré-sal

Com urgência, os projetos do pré-sal precisam ser votados antes de qualquer outra matéria. No entanto, a oposição é contra a aprovação dos projetos e promete atrapalhar as discussões visando adiar o quanto puder a votação deles. Isto, por consequência, atrasaria também a aprovação do "Ficha Limpa".

Romero Jucá afirmou ter dúvidas em relação ao projeto, e citou como exemplo a parte do texto que prevê que os políticos serão impedidos de concorrer a cargo eletivo caso tiverem sido condenados "por decisão colegiada" da Justiça.




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