Juiz investiga indício de crime eleitoral no Rio

O candidato do PV ao governo do Rio de Janeiro, Fernando Gabeira, abortou no domingo um corpo a corpo na favela Cidade de Deus, na zona oeste da capital fluminense, ao perceber que moradores preenchiam uma ficha de cadastro e recebiam material de campanha em evento dos candidatos a deputado federal Nader Filho (PTB) e a deputado estadual José Nader (PR). O primeiro integra a aliança que tenta reeleger o governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) e o segundo é aliado do ex-governador Anthony Garotinho, que apoia Fernando Peregrino (PR).

AE, Agência Estado

21 Setembro 2010 | 11h33

"Vou sair à francesa. Isso aqui está esquisito", disse Gabeira na ocasião. Em seguida, o candidato do PV deixou a favela, antes do início do ato de apoio à sua candidatura. O líder comunitário que organizou os encontros, Bruno Lopes, negou que o cadastro tivesse objetivo eleitoral.

"Era um livro de presença com nome e telefone das pessoas. A gente sempre faz isso. Ninguém estava com título de eleitor, não tinha nada demais. Era uma festa de confraternização", disse Lopes, que se declarou eleitor dos Nader e de Gabeira. Nader Filho não foi localizado ontem, mas no domingo havia defendido o pai e negado a suspeita de crime eleitoral: "Sabemos que boca de urna é crime. Não existe isso. Pode ter sido um mal entendido", disse ao jornal O Globo.

O juiz Paulo Cesar de Carvalho, responsável pela fiscalização da propaganda eleitoral no município, disse ontem que está apurando indícios de irregularidade. "Recebemos a denúncia de que as pessoas tinham que escrever o número do título de eleitor no caderno. Um equipe foi à favela investigar", declarou. "O cadastramento é um indício forte de irregularidade, mas é preciso saber sua finalidade. É para trabalho de boca de urna? É para receber uma pintura na casa se o candidato ganhar? Estamos apurando".

Ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, José Nader foi indiciado em 2009 pela Polícia Federal sob acusação de participar de um suposto esquema para a aprovação de contas irregulares de prefeituras. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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