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Katukinas relatam presença de isolados no rio Biá

De acordo com relatos, o contato visual e verbal foi feito a sudeste dos limites da Terra Indígena

18 de janeiro de 2010 | 15h 33
Roberto Almeida, enviado especial

CARAUARI (AM) - Após colher relatos consistentes de índios katukinas da Terra Indígena Rio Biá, no sudoeste do Amazonas, a expedição da Frente Etnoambiental Vale do Javari, realizada pela Funai em parceria com o Centro de Trabalho Indigenista, decidiu realizar uma nova entrada na selva a partir desta terça-feira (19). Os katukinas afirmam que tiveram contato com um grupo isolado desconhecido, descreveram sua fisionomia e o local onde caçam.

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O objetivo da expedição, comandada pelo indigenista Rieli Franciscato, é catalogar os vestígios deixados na mata pelo suposto grupo isolado para embasar uma possível demarcação de terras. De acordo com os relatos dos katukinas, o contato visual e verbal com os isolados foi feito a sudeste dos limites da Terra Indígena Rio Biá.

A área do contato, entre os rios Jutaí e Juruá, é transitada por não-índios. Está localizada a 150 quilômetros da cidade de Carauari e próxima a pelo menos uma pista de pouso clandestina, possivelmente utilizada por traficantes de drogas.

Para delimitar o percurso que será expedicionado, a Frente Etnoambiental percorreu três aldeias katukinas - Boca do Biá, Janela e Bacuri - em um período de três dias para colher depoimentos. A informação inicial, um boato que percorria comunidades ribeirinhas, era de que um isolado teria raptado uma mulher da aldeia Janela, chamada Luana.

A história tinha contornos fantasiosos, já que katukinas afirmavam que o suposto rapto teria durado apenas um dia. O marido, cujo nome seria Mariano, teria ido buscar a mulher sozinho e desarmado, o que parecia inverossímil.

No entanto, o rapto foi confirmado por todos os índios com quem a equipe da Frente Etnoambiental conversou. A mulher raptada e o marido não foram localizados, mas novas histórias sobre os isolados começaram a surgir, bem delineadas e detalhadas.

Segundo o katukina Carnaval, que mora na aldeia Bacuri, a cerca de 40 quilômetros da cidade de Carauari, os isolados caçam em um igarapé próximo. Carnaval afirmou ter encontrado quebradas e varadouros, vestígios mais comuns de presença indígena, até fazer contato direto com o grupo desconhecido.




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