Leia as versões do delegado Protógenes sobre a Satiagraha
Delegado da operação que prendeu Dantas visitou três vezes a Procuradoria para 'esclarecer' declaração
O delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz retificou três vezes seu depoimento. Depois que esteve no Ministério Público Federal no dia 12 de setembro passado, para detalhar os meandros da Satiagraha - operação da PF comandada por ele e que resultou na prisão temporária do sócio-fundador do Grupo Opportunity, Daniel Dantas -, o delegado visitou outras três vezes a Procuradoria da República no Distrito Federal para "esclarecer" e "retificar" detalhes de sua primeira declaração.

Veja também:
Os alvos da Operação Satiagraha
A cada ida ao Ministério Público, Protógenes apresentava versões distintas. Uma das diferenças que chama a atenção se dá entre o primeiro e o último depoimento. Em setembro, Protógenes foi categórico ao afirmar que tanto o juiz Fausto De Sanctis quanto o procurador da República Rodrigo De Grandis "sabiam do auxílio" da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) na Satiagraha. No último dia 18, o ex-chefe da Satiagraha disse que os dois "não foram informados sobre a participação de agentes da Abin" na operação.
Protógenes também modificou sua versão original sobre as participações de integrantes da Inteligência Militar (Aeronáutica). Na primeira vez que falou ao Ministério Público, o delegado da Polícia Federal disse que "coube a Idalberto" (militar da ativa) a responsabilidade de acompanhar deslocamentos de aeronave "e a Rodopiano (militar reformado) a de levantar a localização de aeronaves".
Apenas 11 dias depois, no dia 23 de setembro, o delegado procurou novamente o órgão para "retificar" suas declarações. Disse que Rodopiano "levantou a localização do deslocamento de aeronaves, e não o sargento Idalberto". A Idalberto, afirmou Protógenes em seu novo relato, coube "apenas" a indicação de Francisco Ambrósio do Nascimento para "colaborar com a investigação".
Leia abaixo:
2/09/2008
No primeiro depoimento ao Ministério Público Federal, o delegado Protógenes Queiroz afirmou que a Satiagraha foi uma missão determinada pela "presidência da República ao delegado Paulo Lacerda".
Diz Protógenes ainda que o pedido de auxílio à Agência Brasileira de Inteligência (Abin) não foi formal "mas sim realizado verbalmente" e que o juiz Fausto de Sanctis e o procurador da República Rodrigo De Grandis sabiam do auxílio da agência na Satiagraha.
Na primeira versão, Protógenes ainda afirma que não sabia informar o número de agentes da Abin na Satiagraha, tendo em vista que a "a participação deles era pontual e em sistema de revezamento" e até "se assustou com a indicação de 52 agentes utilizados". Os agentes, segundo ele, não tiveram acesso a documentos ou dados sigilosos e não fizeram qualquer tipo de grampo na operação.
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