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'Liberdade de imprensa supõe mais responsabilidade', diz Lula

Planalto acaba de enviar projeto de lei que criminaliza fontes e jornalistas que divulgarem informações sigilosas

23 de setembro de 2008 | 21h 16
Tânia Monteiro, enviada especial do Estado

Um dia depois de ter feito uma forte defesa da liberdade de imprensa, indicando que estava criticando os ministros da Defesa, Nelson Jobim, e da Justiça, Tarso Genro, que defendem propostas que criminalizam o vazamento de informações sigilosas, responsabilizando quem fornece os dados e quem os publica, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi dúbio ao tratar do assunto. "A liberdade de imprensa pressupõe o aumento da responsabilidade de todos para que possamos conviver com ela", afirmou.   O Planalto acaba de enviar ao Congresso um projeto de lei que criminaliza as fontes e os jornalistas que divulgarem informações sigilosas. "Liberdade de imprensa não pode pressupor que alguém possa roubar informações e elas possam ser divulgadas sem que a pessoa que tenha roubado fique impune, porque senão você terá dois tipos de cidadãos no Brasil: um que estará subordinado à Constituição e à legislação e um que pode tudo". Em seguida, Lula advertiu que é preciso ter cuidado com este tema.   "Quando eu defendo a liberdade de imprensa, é porque eu digo todo santo dia: eu sou o que sou porque no Brasil teve liberdade de imprensa, mesmo quando falavam mal de mim. Eu não quero liberdade de imprensa para falar bem, quero liberdade pra falar a verdade. Quando as pessoas não falarem a verdade, o povo fará seu julgamento", disse Lula, na porta do hotel Waldorf Astoria, onde está hospedado, assim que retornou da sede da Organização das Nações Unidas (ONU).   O presidente não quis responder, no entanto, se defendia a punição das fontes e dos jornalistas que divulgarem informações sigilosas, como pregou o ministro Jobim, em depoimento no Congresso.   Ao Estado, o presidente Lula reiterou que, no caso do grampo que revelou a conversa do presidente do Supremo, Gilmar Mendes, com o senador Demóstenes Torres (DEM-TO) o problema da quebra do sigilo seria facilmente resolvida, se o jornalista que escreveu a matéria contasse quem lhe deu a informação. "Era fácil encontrar, saber quem fez o grampo, se o jornalista que fez a matéria dissesse quem é o cara", disse Lula, acrescentando que, se isso ocorresse, "livrava todo mundo".   No seu depoimento à CPI dos Grampos, Jobim tinha afirmado ser necessário discutir se a imprensa não seria co-autora dos vazamentos de informações sigilosas. "É preciso pensar na punição de quem faz o grampo ilícito e de quem divulga", disse o ministro.




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