_Questões Sociais
terça-feira, 28 de julho de 2009, 18:51 | Online
Lula antecipa críticas e sai em defesa do Bolsa-Família
Ao defender o programa de transferência de renda, presidente diz que papel do governo é o de 'uma mãe'
Roberto Almeida, de O Estado de S. Paulo
Como exemplo, Lula chamou ao palanque uma aluna da escola técnica beneficiada pelo programa. Isabela Oliveira de Araújo, de 17 anos, subiu acanhada, mas acompanhou atenta. Emocionou-se quando o presidente passou a contar sua história. "Dê oportunidade, com professores que qualquer filho de elite teve nesse País, para ver como é possível que uma menina dessas, praticamente abandonada pelos pais, criada por uma tia, que recebe uma bolsa de R$ 180 para poder comer, tem futuro", exaltou o presidente.
Além de receber o Bolsa-Família, Isabela ganhou uma bolsa para estudar mineração na escola técnica, inaugurada nesta terça. "O que nós estamos fazendo é tentar equiparar o Brasil para que a gente seja um País em que todos tenham igualdade de oportunidade", avisou Lula.
Com a garota ao lado, o presidente continuou sua defesa do programa, em seu ponto de vista o "maior programa de transferência do mundo". "Como a gente pode esperar que uma criança que não toma café da manhã seja inteligente, se ela levanta e vai dormir com a lombriga menor querendo comer a maior? Dê comida para essa criança, para chegar a uma escola", destacou.
"Vamos ver o que vai ser dessa menina, que estava predestinada a ser mais uma menina sem futuro em Campina Grande. Ela vai ter uma profissão e vai poder construir sua vida independente", anotou Lula, ao abraçar a garota. "Essa menina é mais um exemplo daquilo que é a força motora do que me faz fazer política."
Aumento
O reajuste do Bolsa-Família tem previsão para acontecer em setembro. O benefício varia entre R$ 20 e R$ 182 mensais, e pode ser aumentado, em média, pelo menos 5%. Se esta decisão for levada a cabo, o valor médio pago às famílias de R$ 85 pode pular para R$ 90.
Lula pediu uma avaliação do impacto econômico do reajuste no início de julho. Na semana passada, uma reunião entre o presidente, o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, e do Planejamento, Paulo Bernardo, anotaram que é possível repor a inflação, apesar dos custos à União.
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