Lula anuncia no Fórum Social Mundial que irá ao Haiti
Presidente critica países desenvolvidos e o Fórum de Davos durante discurso para cerca de 7 mil pessoas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou nesta terça-feira, 26 que visitará o Haiti no próximo dia 25. Em discurso no Fórum Social Mundial, na capital gaúcha, ele pediu às organizações de esquerda que ajudem na reconstrução do país atingido por um terremoto no dia 12.

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No debate com organizadores do Fórum, que queriam a opinião de Lula sobre a presença "excessiva" de tropas americanas no Haiti, o presidente evitou fazer qualquer comentário. Em seguida, Lula criticou as invasões de franceses e norte-americanos no Haiti desde a independência em 1804. Ele chegou a dizer que o "mundo desenvolvido" era responsável pela miséria do país.
Lula criticou os países desenvolvidos que não repassaram os "bilhões de dólares" prometidos ao Haiti antes do terremoto. "O dado concreto é que esse terremoto mexe com a vergonha dos seres humanos que governam o mundo", disse. Ele ainda aproveitou para elogiar a atuação dos militares na força de paz da ONU que está no Haiti.
Lula também sugeriu que as organizações que participam do Fórum Social Mundial tomassem a decisão de declarar um ano de solidariedade entre todos seus participantes, no período compreendido entre as edições do evento, pela reconstrução do Haiti. O presidente calculou que, dentro de possivelmente 30 dias, será instalada no Haiti uma unidade de pronto-atendimento.
Lula indicou que a sugestão ao fórum seria uma maneira de aproveitar a participação das organizações envolvidas no evento para extrair propostas concretas. "Não tem nada pior que terminar uma reunião com esta, fantasticamente representativa, com aquilo que tem de melhor nos movimentos sociais, com um catatau que a gente coloca na mesinha de cabeceira ou na gaveta da sala e termina não produzindo os efeitos das coisas boas que vocês cultivaram num fórum como esse", disse.
Mudanças nítidas
Em sua última participação no Fórum Social Mundial realizado no seu governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não conseguiu disfarçar mudanças nítidas no discurso do início do mandato e as divergências que se acentuaram com setores da esquerda nos últimos anos.
Em janeiro de 2003, nos primeiros dias no governo, ele disse a pensadores, estudantes e "bichos grilos" num teatro aberto nas margens do Rio Guaíba que o ex-presidente Fernando Collor tinha perdido o mandato em 1992 por "roubalheira", prometeu que os pobres não morreriam mais nas filas de hospital e avaliou que faria "o governo mais honesto que já houve na história deste País".
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