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Lula brinca com Serra, que diz apostar no crescimento do País

Governador diz que concorda 95% com ministro da Fazenda, que exaltou a condução da política econômica

10 de novembro de 2009 | 15h 35
ANNE WARTH E LUCINDA PINTO - Agencia Estado

Apesar de adversários no campo político, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), concordaram nesta terça-feira, 10, sobre a capacidade de crescimento do País, que segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, poderá ser a quinta economia mundial até 2025.

Serra cumprimenta Lula durante encontro de empresários italianos e brasileiros em SP - Hélvio Romero/AE
Hélvio Romero/AE
Serra cumprimenta Lula durante encontro de empresários italianos e brasileiros em SP

Os três discursaram durante encontro de empresários italianos e brasileiros na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Lula aproveitou o discurso de Serra, que disse concordar em 95% com Mantega, para ironizar as diferenças políticas entre os dois.

O governador discursou logo depois de Mantega, que fez uma defesa das medidas que o governo federal adotou para enfrentar a crise financeira internacional, exaltou a condução da política macroeconômica brasileira, e destacou os bons resultados que a economia vem registrando desde o segundo trimestre deste ano.

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"O ministro Guido Mantega fez aqui uma excelente exposição a respeito das condições básicas da economia brasileira. Eu estou 95% de acordo com o panorama que ele esboçou aqui de forma muito apropriada", afirmou Serra.

Lula, que discursou logo em seguida, não perdeu a chance de fazer uma referência bem humorada às afirmações de Serra: "O Guido Mantega disse e eu vou tentar não falar nada de macroeconomia, porque o Serra discordou 5% do Guido, e ele pode querer discordar um pouco mais de mim, uns 6%. Aí, vamos criar uma inimizade à toa, então eu não vou falar de macroeconomia para ele concordar 100% comigo."

França no Brasil

Depois do evento na Fiesp, Lula seguiu para o almoço de encerramento do Fórum da Inovação França-Brasil e o Ano da França no Brasil, em um hotel da Capital.

Durante o evento, o presidente disse que a França precisa assumir seu lado "sul-americano" e "latino-americano" e melhorar a sua atuação política na região, aproveitando o fato de que possui uma parte de seu território na região. A Guiana Francesa, território de 86.504 km² que faz fronteira ao leste e ao sul com o Brasil, é um departamento ultramarino da França.

Em discurso durante o Encontro Inovação França-Brasil, que encerrou as atividades do ano da França no País, na capital paulista, Lula afirmou que a nação europeia tem autoridade para discutir os rumos da exploração da floresta amazônica. "Eu tenho feito uma provocação aos nossos companheiros franceses. A França não soube dimensionar e tirar proveito do fato de ser o único País europeu com fronteira na América do Sul", afirmou Lula para uma plateia formada por empresários e representantes de órgão governamentais franceses. "A França ainda não aprendeu a trabalhar politicamente de forma correta, explorando o fato de ser o único país europeu com participação na biodiversidade da Amazônia", acrescentou.

O presidente reiterou que o tema ambiental tem ganhado importância nos últimos anos. "Há 50 anos, possivelmente isso não teria nenhuma importância. Mas no século XXI, com o aquecimento global e a relevância que ganhou a manutenção das floresta do mundo, a França precisa assumir o seu lado sul-americano e latino-americano", opinou. Para o presidente, uma mudança na forma de atuação do país europeu na região será de "extraordinária grandeza" nas relações entre a América do Sul e a União Europeia. "É preciso compreender isso para que não seja apenas a ocupação de um espaço colonizado, como já foi no passado. É preciso que a França comece a dar importância para a sua parte territorial na América do Sul", ressaltou.




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