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Lula chama atenção para 'desestruturação da família'

02 de setembro de 2010 | 18h 36
EVANDRO FADEL - Agência Estado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje que "cuidar da família é tão importante quanto cuidar da economia". "Houve um tempo em que se dizia que era preciso criar um novo modelo de economia, uma nova política econômica, e que estaria tudo resolvido, mas aprendi que um dos principais problemas que nós construímos no Brasil, sobretudo naquelas décadas que considerávamos perdidas, foi a desestruturação da família", afirmou ele, em Foz do Iguaçu (PR), durante abertura do Seminário Latino-Americano de Acolhimento Familiar.

Para Lula, a desestruturação familiar não é totalmente explicada pela pobreza. Ele disse que falta principalmente o diálogo entre pais e filhos. Em discurso regado a emoção, Lula quase foi às lágrimas ao contar uma história de um filho que queria pagar pela hora de trabalho do pai apenas para ter atenção. "Por mais pobre que seja, uma casa tem que ser o amparo para quem vive em situação difícil", afirmou. "A estrutura da família é sagrada."

O presidente disse ainda que durante muitos anos o Estado cometeu um erro achando que é possível recuperar crianças sem recuperar as famílias. "Muitas vezes é preciso descobrir se não são os pais que são problemas para os filhos", explicou. "O Estado precisa ser um indutor para criar condições de as crianças serem ajudadas dentro de casa."

Lula criticou também a programação televisiva, dizendo que nem em sua mão de apenas quatro dedos conseguiria contar os programas educativos. Segundo ele, o sexo é apresentado desde o início da manhã. "E nós (pais) achamos que não é conosco", afirmou.

Independência

Logo depois, em aula inaugural na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), Lula destacou que a América Latina, depois de 200 anos, está "aprendendo a andar por suas próprias pernas, falar por suas próprias bocas e pensar pela nossa cabeça". "E quando isso acontece estamos conquistando nossa independência", afirmou.

O presidente ressaltou que, em 1982, quando perdeu a eleição para o governo de São Paulo, achou-se a pessoa mais derrotada do mundo e pensou em abandonar a política, mas, em 1985, o cubano Fidel Castro o reanimou quando lhe disse que nenhum operário no mundo havia conseguido fazer 1 milhão e 250 mil votos.




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