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Lula comemora disputa de 2010 sem 'trogloditas de direita'

Presidente considera ‘fantástico’ que na disputa presidencial todos os pré-candidatos sejam de esquerda

16 de setembro de 2009 | 19h 08
Leonencio Nossa, de O Estado de S.Paulo

Em um dos discursos mais descontraídos de seu governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliou nesta quarta-feira, 16, que a disputa presidencial de 2010 terá nível muito melhor do que as campanhas anteriores.

Lula, durante evento no Ipea - CELSO JUNIOR/AE
CELSO JUNIOR/AE
Lula, durante evento no Ipea

Em discurso que durou 52 minutos, na sede do Instituo de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), Lula disse que os atuais pré-candidatos à presidência da República têm todos origem na esquerda. "Pela primeira vez não vamos ter um candidato de direita na campanha. Não é fantástico isso?", declarou o presidente.      

O presidente disse que os quatro ou cinco candidatos que forem apresentados pelos partidos vão ter o desafio de discutir novos temas. Na avaliação dele, questões como desemprego, dívida externa e inflação ficarão para trás.

"O grande desafio das eleições vai ser o futuro, quem vai fazer a melhor proposta de futuro para este País", disse. Entre os temas que deverão dominar os debates, o presidente citou mudança climática, pré-sal e educação.    

Lula fez um balanço das últimas campanhas presidenciais, ressaltando que os ex-adversários nas eleições passadas, como Fernando Henrique Cardoso em 1994 e em 1998 e José Serra em 2002, garantiram processos eleitores com nível elevado.

Lula não perdoou Geraldo Alckmin, seu adversário em 2006. Segundo o presidente, antes os candidatos de esquerda e de centro-esquerda disputavam "contra os trogloditas da direita". O nível das campanhas, de acordo com Lula, "começou a melhorar comigo e com Fernando Henrique Cardoso. Já foi um nível elevado. Depois, eu e Serra também. Mas depois, eu e o Alckmin, aí baixou o nível por conta dele", disse.      

Volta por cima      

Ao comentar ações de seu governo, Lula disse que foi alvo de "avacalhações e zombarias" em pelo menos dois momentos. Primeiro, segundo o presidente, foi durante uma visita à fabrica da Ford, em São Paulo, em 2003, quando avaliou que o País viveria um "espetáculo do crescimento".

"Fui motivo de piada e zombaria. Naquele ano, o Brasil acabou crescendo 5,8% e ninguém teve humildade de me ligar e pedir desculpas. É a minha vingança, já que ninguém pede desculpas neste País. Avacalham a vida das pessoas e não pedem desculpas", desabafou.      

Lula também reclamou das críticas que recebeu quando fez avaliações otimistas em relação à crise financeira, no ano passado. "Hoje, há uma unanimidade mundial de que o Brasil é o País que está se saindo melhor da crise", afirmou.      

Ele voltou a criticar analistas econômicos e lembrou que as projeções feitas por comentaristas da área não se confirmaram. No discurso, disse também que o Brasil melhorou em muitos setores. "O País entrou no Primeiro Mundo. Os especialistas é que não querem perceber".      

Lula disse ainda que, no governo, sempre procurou levantar a autoestima dos brasileiros e chegou a comentar críticas que sofreu ainda na campanha pelo fato de não falar inglês. "Sempre disse que o Bill Clinton não falava português. E alguém está preocupado em como a gente fala?"      

O presidente avaliou que, no País, governantes e pesquisadores nunca levaram em conta diferenças regionais. "Quando comecei a percorrer o País percebi que o Brasil da minha São Bernardo não tinha nada a ver com o Brasil da minha Garanhuns. É impossível pensar o País de Brasília."




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