Lula diz que, fora do governo, será 'amigo da rainha'
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou hoje a fazer referências indiretas à candidata do PT para a sucessão presidencial, Dilma Rousseff, em uma solenidade oficial. Durante discurso na entrega de 224 apartamentos do Conjunto Habitacional Três Marias, em São Bernardo do Campo (SP), Lula disse que voltará a viver na cidade do ABC paulista assim que deixar o cargo e não hesitará em pedir verbas para a cidade para "um amigo ou uma amiga" que estiver no poder.
"Obviamente que, se eu sou amigo de uma pessoa com o cargo mais importante, e eu precisar pedir uma coisinha para São Bernardo, não terei nenhuma vergonha de pedir as coisas", disse o presidente, para então fazer uma menção à sua candidata, mas sem citar o seu nome. "Afinal de contas, dizem que às vezes é melhor ser amigo do rei, ou da rainha, do que ser o próprio rei ou a rainha", afirmou.
Durante seu discurso, Lula afirmou ao prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho (PT), que "jamais" irá cobrá-lo sobre qualquer assunto quando deixar o governo. "Se eu puder ajudar, vou ajudar. Atrapalhar, jamais", afirmou. O presidente fez críticas indiretas, sem citar nomes, ao candidato do PSDB à sucessão presidencial, José Serra, ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e ao ex-prefeito da cidade William Dib (PSDB).
De acordo com Lula, a entrega do projeto habitacional na região poderia ter ocorrido há mais de quatro anos, não fosse a recusa do ex-prefeito em aceitar verba federal. "O Marinho recuperou alguns projetos que já existiam na cidade que o outro governo foi contra por ser de um partido diferente do dele. Ele se dava ao luxo de não fazer nenhuma parceria com o governo federal", disse.
"Precisou-se esperar o Marinho assumir para que isso fosse feito. Vocês não imaginam a ignorância de um prefeito que deixa R$ 71 milhões voltarem para a Caixa porque não quer trabalhar com o Lula, porque ele é de um outro partido político e porque é um puxa-saco do governador de São Paulo", afirmou.
Na avaliação de Lula, são atitudes como essa que têm levado o povo a "amargar sofrimento" nas últimas décadas. "Muita gente que faz política se apequena na hora de fazer as coisas corretas que tem de fazer", comentou. "É o absurdo do absurdo."
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