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Lula diz que vaias não vão afastá-lo das ruas e lança desafio

'Se quiserem brincar com democracia, ninguém sabe colocar mais gente na rua do que eu', desafia

31 de julho de 2007 | 17h 35
Fausto Macedo, do Estadão

O presidente Lula afirmou nesta terça-feira, 31, em Cuiabá que as vaias não vão afastá-lo das ruas. Disse que vaias não o intimidam e não vão trancá-lo em seu gabinete no Palácio do Planalto. Ele chamou para o desafio brasileiros que o têm vaiado. "Se quiserem brincar com a democracia, ninguém sabe nesse País colocar mais gente na rua do que eu", declarou o presidente em auditório fechado do Centro de Eventos do Pantanal, onde anunciou para mil convidados - rigorosamente selecionados e que muito o aplaudiram -, a liberação de R$ 521, 5 milhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para obras de saneamento básico no Mato Grosso.

 

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Os apupos que provocaram a reação presidencial têm se repetido desde a abertura dos Jogos Pan-Americanos do Rio, quando Lula foi vaiado seis meses e desistiu de fazer o discurso de abertura. Nesta terça, as vaias partiram de um grupo de manifestantes que foram barrados em um trevo de acesso a 300 metros da solenidade. O comboio presidencial passou à toda por eles. Entre 60 a 70 pessoas, segundo cálculos da organização do movimento denominado "Eu também vou vaiar Lula", receberam Lula com gritos e assobios. Elas distribuíram adesivos e camisetas com a frase que marca o protesto. A assessoria do presidente contou "uns 8" opositores.

 

"O recado foi dado", disse Flávia Salem, empresária de comunicação e coordenadora do movimento. "Estamos com a alma lavada porque vaiamos muito, mas muito mesmo, até cansar, e é claro que o presidente ouviu e por isso ficou tão incomodado. Não fosse o medo de represálias, a mobilização teria sido 10 vezes maior. Inclusive muito servidor público queria ter participado."

 

"Se alguém acha que com estupidez vai atrapalhar que a gente faça o que precisa ser feito pode tirar o cavalo da chuva", retrucou Lula, já na cerimônia do PAC que reuniu deputados, senadores, prefeitos e o governador Blairo Maggi (PR). "Ninguém vai me ver de cara feia por isso. Podem ficar certo meus companheiros e companheiras que ninguém vai ficar com saudade de ver o Lula na rua. As ruas desse País de 8,5 milhões de quilômetros quadrados eu vou visitá-las quase todas nesse mandato. Com a democracia não se brinca, o que vem depois dela é sempre muito pior."

 

Acredita ter identificado quem o hostiliza. "Os que estão vaiando são os que mais deveriam estar aplaudindo. Foram os que ganharam muito dinheiro nesse País no meu governo. É só ver quanto ganharam os banqueiros os empresários."



Tópicos: Lula, PAC, Mato Grosso

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