Lula manda investigar compra de 'maletas de grampo' pela Abin
Suspeita é de que equipamentos podem ter sido usados para grampear presidente do STF; Dilma quer apuração
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou que a sindicância aberta na Polícia Federal para apurar grampos ilegais investigue também a compra de maletas de interceptação telefônica para uso por agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). A informação sobre as maletas partiu do ministro da Defesa, Nelson Jobim, durante reunião da última segunda-feira, no Palácio do Planalto, para discutir a denúncia de grampo ilegal que gravou uma conversa entre o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). Veja Também: Entenda as acusações de envolvimento da Abin com grampos Especial explica a Operação Satiagraha Multimídia: As prisões de Daniel Dantas PF está empenhada em saber quem grampeou STF, diz Tarso Governo vai avaliar se equipamentos da Abin são para escutas PSDB quer CPI dos grampos no Senado; Garibaldi nega necessidade Crise acirra disputa entre Polícia Federal e Abin
Naquela reunião, Jobim relatou que o Exército adquiriu maletas por cerca de US$ 20 mil cada, para uso da Abin. O ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Jorge Armando Félix, argumentou durante depoimento na CPI dos Grampos, na Câmara dos Deputados, que o equipamento não era usado para grampear telefonemas, mas sim para interceptar grampos. E pediu ao Exército que cedesse três técnicos para analisar a máquina. Félix tenta provar que o equipamento só faz varredura, ou seja, vasculha se tem alguém monitorado os telefones, mas não faz grampos. A polêmica foi travada entre Jobim e Félix durante a reunião com Lula. Na mesma linha que Lula, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, admitiu que o governo vai avaliar se os equipamentos comprados pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) são destinados a escutas telefônicas clandestinas. "Vamos avaliar todo o quadro da Abin, todo o quadro do grampo. Se houve grampo ou se não houve e, dentro desse contexto, os equipamentos serão considerados e balanceados", afirmou a ministra, no Palácio do Planalto. A revelação de que os telefones do presidente do STF foram grampeados acirraram a guerra travada entre a PF e a Abin, no rastro da Operação Satiagraha, que resultou na prisão do banqueiro Daniel Dantas, em julho. Questionada se a compra do equipamento pela Abin era grave, Dilma não quis entrar na polêmica. "Eu não vou avaliar se é grave a compra de um equipamento ou não", disse, ao acrescentar que o governo examinará toda a situação.
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