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Lula perde a paciência com pergunta sobre Renan

Presidente aconselha repórter do 'Estadão' a 'ligar para o presidente do PT e receber todas as informações'

14 de setembro de 2007 | 10h 28
Vera Rosa, do Estadão

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não escondeu a irritação, em Oslo, na Noruega, com a pergunta dirigida a ele, nesta sexta-feira, 14, sobre a absolvição do presidente do Senado, Renan Calheiros, e se recusou a respondê-la. Ao lado do primeiro-ministro da Noruega, Jens Stoltenberg, Lula escapou da pergunta, feita pela repórter do Estadão, durante conferência de imprensa.

 

Questionado se o governo havia orientado a bancada do PT a absolver Renan e se o Planalto pressionava o aliado a se licenciar do cargo - diante da ameaça da oposição de não votar projetos de interesse do Executivo -, o presidente abriu os braços e balançou a cabeça, em sinal de contrariedade.

 

"Eu só lamento que na minha despedida eu tenha de falar do Brasil. Seria tão mais fácil um jornalista do Estadão lá no Brasil ligar para o presidente do PT e receber todas as informações", reclamou. "Quando eu chegar ao Brasil, na terça-feira, você me faça quantas perguntas quiser sobre o Renan, sobre o PT, que eu falarei com o maior carinho. Mas eu estou terminando uma viagem de uma semana, estou tão cansado quanto vocês e não é justo que essa viagem não tenha despertado nenhuma curiosidade ao Estadão", encerrou. Não houve direito a réplica.

 

Apesar de não ter respondido a questão que mais atormenta o governo, Lula falou sobre etanol - sua obsessão - e disse não ter problemas com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, quando uma jornalista norueguesa quis saber como andava seu relacionamento com colegas de esquerda da América Latina, citando o vizinho.

 

"A Venezuela é boa parceira do Brasil e vice-versa. O problema do Chávez com seus discursos internos, com relação aos Estados Unidos, é um problema do Chávez e da Venezuela. E eu respeito, da mesma forma que eu quero que respeitem a minha posição. É assim, nessa convivência na adversidade, que a gente constrói a solidez da democracia", afirmou.

 

Ao final da entrevista, quando Lula já deixava a sala da conferência de imprensa, na sede de governo, os jornalistas brasileiros ainda tentaram insistir na pergunta sobre Renan. "É importante, presidente", gritaram. Ele não atendeu. "Chega, chega, chega, chega", repetiu, deixando a sala.



Tópicos: Lula, Renan Calheiros

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