Lula recebe 'não' da oposição na 'última cartada' pela CPMF
Presidente foi procurar o governador do DF para reverter votos do DEM e Arruda disse que seria 'impossível'
Sem os votos necessários para aprovar a CPMF e temendo a iminente derrota, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva optou por um "ato extremo" e foi procurar pessoalmente nesta segunda-feira, 11, o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), para reverter o voto na bancada do senador Adelmir Santana (DEM-DF). Lula atrasou sua agenda e foi tomar café da manhã com o governador na residência oficial de Águas Claras e recebeu um "não" como resposta. Segundo o líder dos Democratas, José Agripino Maia (RN), o próprio Arruda falou para Lula que reverter votos do partido seria impossível uma vez que o DEM já fechou questão contra a CPMF. Veja também: Líderes aliados admitem que situação da CPMF é 'dramática' 'Certamente falta algum voto para CPMF', diz FHC PMDB diz que Senado elege presidente e vota CPMF na quarta Entenda o que é a CPMF A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, negou que a ida à residência do governador do Distrito Federal tenha sido uma atitude de "desespero" pela CPMF. "Eu acho que isso é um sinal de que o governo, desde o início, sempre esteve aberto às negociações...e que a CPMF não é uma questão partidária ou uma questão governamental. É uma questão do País e da Nação", afirmou a ministra. No encontro com Arruda, Lula também cogitou a possibilidade de Adelmir Santana ser substituído pelo seu suplente. Arruda, conforme relato de Agripino, lembrou ao presidente que Adelmir Santana já é suplente de Paulo Otávio, atualmente vice-governador do Distrito Federal, e descartou a possibilidade de substituí-lo pelo segundo suplente, Miguel Karim Nabut. Lula também pediu ajuda para que o DEM não pedisse de volta na Justiça Eleitoral os mandatos dos senadores Romeu Tuma (PTB-SP) e César Borges (PR-BA), que eram filiados ao partido, caso eles votassem a favor da CPMF. Por conta dessa ameaça, Borges e Tuma avisaram ao governo que não votarão a favor da prorrogação da proposta. O presidente do DEM, deputado federal Rodrigo Maia (RJ), disse que Lula errou ao tentar convencer individualmente Arruda e o acusou de procurar "cooptar os votos dos senadores do partido em vez de promover conversas institucionais". "Se o presidente Lula tivesse proposto um encontro com a direção do DEM, com os líderes do partido, podia até não conseguir votos a favor da CPMF. Mas, pelo menos, poderia abrir um canal de diálogo. Mas ele prefere ser desrespeitoso com o partido e evita as conversas institucionais, procurando tentar cooptar os nossos senadores", diz Maia. Depois de conversar com Arruda, o deputado Rodrigo Maia disse que não há qualquer clima político para que o DEM ajude o governo. "O governo erra os métodos de relacionamento conosco. Mas não é surpresa, porque desde o início do segundo mandato do presidente Lula, o governo tenta acabar com o partido, procurando nossos parlamentares para levá-los para a sua base de apoio. Só pararam com isso porque foi aprovada uma dura lei de fidelidade partidária. Aí, eles aparecem depois e pedem para o DEM ajudar na votação de um projeto com o qual não concordamos? Não existe essa hipótese", afirmou o presidente do DEM.
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