Lula sonda Carlos Minc e Jorge Viana para lugar de Marina
Atual secretário do Meio Ambiente do Rio é um dos mais cotados, porém ex-governador do Acre está no páreo
Para substituir Marina Silva no Ministério do Meio Ambiente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a sondar nesta terça-feira, 13, o atual secretário do Ambiente do Estado do Rio de Janeiro, Carlos Minc. Lula também pediu a emissários para sondarem o ex-governador do Acre Jorge Viana (PT), que sempre quis levar para o primeiro escalão. Amigo e interlocutor freqüente de Lula, Viana já foi cotado para a articulação política do governo e é presidente da fábrica de helicópteros Helibrás.
Veja também: Veja galeria de fotos com a trajetória política da ministra Especial: conheça as polêmicas de Marina no cargo Veja a dança das cadeiras no governo Lula Fórum: opine sobre a atuação da ministra no cargo Saiba quem é Carlos Minc, chamado para o lugar de Marina Veja íntegra do pedido de demissão de Marina Silva Lula se irritou com saída de Marina antes de carta Mangabeira nega divergência com Marina Silva Antes de sair, Marina fez duras críticas aos biocombustíveis Especial: Amazônia - Grandes reportagens Para sondar Minc, Lula chegou a telefonar para o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), e perguntou se o secretário poderia ser liberado para assumir a vaga. "O presidente ligou para o governador requisitando o secretário Carlos Minc. O governador autorizou o secretário a ser o novo ministro do Meio Ambiente", disse a assessoria de Cabral". Lula ficou furioso com a forma como a ministra deixou o governo. A assessores próximos, o presidente, irritado, disse que foi surpreendido e reclamou do fato de a notícia estar na imprensa antes mesmo que o presidente tivesse lido a carta de demissão. Assessores do presidente disseram que Lula ficou "indignado" e classificaram a atitude da ministra como "espetaculosa" e "espalhafatosa".
A saída de Marina Silva do Planalto ocorre cinco dias após o lançamento do Plano Amazônia Sustentável (PAS). Na solenidade, o presidente que o ministro extraordinário do Núcleo de Assuntos Estratégicos (NAE), Roberto Mangabeira Unger, seria o coordenador do PAS, mas fez uma brincadeira com Marina: "Dilma, eu disse que você é a mãe do PAC. Ninguém como você, Marina, para ser a mãe do PAS. De mãe em mãe, vocês percebem que estou criando a nova China aqui." A escolha de Mangabeira teria desagradado Marina, o que pode ter contribuído para sua saída. Marina está à frente do ministério desde o primeiro mandato de Lula. Sua saída põe fim a um processo de desgaste que se acentuou no ano passado, quando o atraso na concessão de licenças ambientais pelo Ibama foi apresentado como o grande vilão para o não andamento de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Marina chegou a protagonizar disputas com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o próprio Lula fez críticas públicas à área sob seu comando quando a falta de licenças atrasou o processo de leilão das usinas do Rio Madeira. Sob forte bombardeio desde então, a ministra mantinha suas convicções em eventos públicos. Ainda na última segunda, durante lançamento do Programa Brasileiro de Inventário Corporativo de Gases de Efeito Estufa, a ministra teve a coragem de criticar a menina dos olhos do governo Lula, o investimentos em biocombustíveis: "o Brasil não quer ser a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) dos biocombustíveis(...) Queremos dar nossa contribuição em relação aos biocombustíveis, mas observando nossa capacidade de suporte. E de forma que não comprometa a segurança alimentar nem a questão ambiental", chegou a dizer Marina à Agência Brasil. "Nossa economia depende 50% da nossa biodiversidade. Quem destruiria sua galinha dos ovos de ouro?", indagou em Brasília. Trajetória Marina tem uma trajetória muito parecida com a de Lula. Nascida em 1958, na "colocação" (espaço explorado por uma família dentro do território do seringal) Breu Velho, no Seringal Bagaço, a 70 quilômetros de Rio Branco, capital do Acre, trabalhou como empregada doméstica e alfabetizou-se pelo antigo Mobral. Após fazer o supletivo, aos 26 anos formou-se em História pela Universidade Federal do Acre. Em 1985, ela filiou-se ao PT e passou a participar das Comunidades Eclesiais de Base, de movimentos de bairro e do movimento dos seringueiros. Em 1984, foi fundadora da CUT no Acre, que teve Chico Mendes como seu primeiro coordenador, com Marina atuando como vice-coordenadora. Nas eleições municipais de 88 foi a vereadora mais votada em Rio Branco e conquistou a única vaga de partidos de esquerda na Câmara Municipal. Em 1990 candidatou-se a deputada estadual e foi novamente a mais votada. Marina Silva foi eleita pela primeira vez para o Senado em 1994. Na época, aos 36 anos, foi a senadora mais jovem da história da República. Em 2002 foi reeleita com uma votação quase três vezes superior à anterior. Texto atualizado às 22h40 (Com Luciana Nunes Leal e Tânia Monteiro, de O Estado de S.Paulo)
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