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'Lula toma as rédeas na crise boliviana', diz 'El País'

Segundo jornal, participação na cúpula demonstra peso do Brasil na região.

16 de setembro de 2008 | 7h 54

A cúpula da Unasul realizada na segunda-feira à noite para discutir a crise na Bolívia marca o crescente peso que o presidente Luís Inácio Lula da Silva está adquirindo na região, segundo reportagem publicada nesta terça-feira pelo jornal espanhol El País.

Em matéria intitulada, "Lula toma as rédeas da crise boliviana", o diário diz que Lula apresentou uma série de exigências para aceitar ir ao encontro em Santiago do Chile, e o fato de elas terem sido acatadas, demonstram sua importância na mediação do conflito.

"A presidente do Chile, Michelle Bachelet - país que exerce a presidência temporária da Unasur -, convocou a reunião, mas foi Lula quem deu transcendência a ela, ao confirmar sua presença e conseguir que as partes em conflito na Bolívia lhe entregassem sua confiança", escreve o El País.

"Lula impôs condições para viajar a Santiago e as conseguiu. Pediu uma trégua prévia entre (o presidente boliviano Evo) Morales e a oposição, o que foi feito. Exigiu a aceitação expressa de La Paz para que ele intercedesse na crise, e a obteve. Mais, os rivais de Morales comemoraram a mediação brasileira, apesar de Lula os ter repreendido por usar a violência para desafiar o governo."

Ainda segundo o jornal, na cúpula ficou mais clara a distância que se abre entre o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, "que se converteu em ator do conflito ao expulsar de seu país, em solidariedade com Morales, o embaixador dos Estados Unidos, e que chegou a Santiago com um discurso antiimperialista", e Lula, cujo país "requer gás boliviano e que nos dias anteriores se transformou em estandarte da não intervenção nos assuntos internos do país".

A reunião só se tornou viável com a presença de Lula, que antes de aceitar participar teria exigido a presença de Morales e que ele aceitasse os resultados, diz o jornal, para quem "o Brasil não quer ingerências externas no conflito, nem insultos aos Estados Unidos".




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