Manifestantes pedem ética na Assembleia do Paraná

Manifestantes lotaram nesta noite a Boca Maldita, no centro de Curitiba, em um protesto contra a corrupção e pedindo ética na política. A manifestação foi liderada pela seção paranaense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), motivada pelas investigações que apontaram, até agora, desvios de R$ 26 milhões por meio de nomeações de funcionários "fantasmas" na Assembleia Legislativa do Paraná. Pelo menos outros 12 municípios fizeram manifestações no mesmo horário.

EVANDRO FADEL, Agência Estado

08 Junho 2010 | 20h07

"O Brasil, através do Paraná, dá um grito de basta à corrupção, de basta à impunidade", disse o presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante, que esteve presente. Por meio da internet, a OAB recebeu a adesão de cerca de 500 entidades à campanha "O Paraná que Queremos" e coletou a assinatura de mais de 23 mil pessoas. Os manifestantes pedem a apuração de todas as denúncias levantadas e sugerem o afastamento da Mesa Diretora da Assembleia no período das investigações.

O presidente da seccional paranaense, José Lúcio Glomb, anunciou que encaminhará à Assembleia Legislativa um anteprojeto de lei, preparado pela Associação Paranaense dos Juízes Federais, com a finalidade de aumentar a eficácia dos princípios da impessoalidade, moralidade e publicidade previstos pela Constituição Federal. Segundo Glomb, a proposta visa tornar mais transparente os atos administrativos nos Três Poderes, além do Ministério Público, Tribunal de Contas, autarquias e fundações.

O anteprojeto prevê que os atos e despesas públicas sejam publicados unicamente no Diário Oficial do Estado, inclusive na versão eletrônica. Determina ainda que todos os órgãos oficiais tenham um portal de transparência, onde devem estar, entre outros itens, a relação de servidores, com local de lotação e vencimentos. O anteprojeto também proíbe a nomeação de parentes até terceiro grau. A OAB está propondo ainda que a Assembleia Legislativa contrate uma empresa de auditoria para promover uma reestruturação administrativa na Casa, através de um concurso público, visto que o último é de 1962.

À tarde, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Nelson Justus (DEM), reclamou que as entidades que promoveram a manifestação "não tentaram ouvir a nossa parte". Justus, que já anunciou que não deixará o cargo, prometeu que os deputados vão analisar as propostas, podendo adotá-las. "Nós temos a humildade para isso", disse.

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