Mantega atribui indicação para Casa da Moeda ao PTB
Preocupada com a politização da troca de comando da Casa da Moeda, a presidente Dilma Rousseff pediu ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, que desse ao PTB o devido lugar no episódio. Luiz Felipe Denucci foi demitido da presidência da Casa da Moeda na semana passada por suposto envolvimento em corrupção. O cargo foi indicação do PTB.
Sem perder a confiança em Mantega, Dilma disse a ele que era preciso esclarecer logo o assunto para evitar um escândalo com repercussões imprevisíveis no mercado financeiro. A presidente mandou Mantega dar entrevista em tom didático e com declarações duras para pôr fim aos rumores de que a equipe econômica estaria conivente com irregularidades.
Na avaliação do Palácio do Planalto, o PTB quis jogar o problema com Denucci no colo de Mantega, insinuando que havia alertado o ministro sobre suas supostas irregularidades. Até hoje, em conversas reservadas, auxiliares de Dilma lembram que o PTB é a legenda de Roberto Jefferson, algoz dos petistas no escândalo do mensalão, em 2005.
Na Fazenda, desde que vieram à tona as denúncias contra Denucci, o comentário era o de que ele não passava de um "picareta". Sem dar detalhes, técnicos do ministério diziam que a Casa da Moeda transformou-se em foco de luta política e chantagens. Mantega admitiu ontem que foi alertado mais de uma vez sobre possíveis erros de conduta do ex-presidente da Casa da Moeda, mas disse que as denúncias, "requentadas", não justificariam seu afastamento. O ministro atribuiu o desligamento de Denucci ao encerramento de sua missão no comando do órgão e às pressões política que vinha sofrendo por parte do PTB. Segundo ele, as primeiras informações sobre Denucci, publicadas em 2010, se tratavam de um problema com a Receita Federal de 2001. "Ele teria trazido recursos do exterior, depositado na conta, enfim... a Receita já tinha agido."
Mantega negou ser o responsável pela indicação de Denucci e atribuiu a escolha ao líder do PTB, Jovair Arantes (GO). O ministro chegou a dizer que não conhecia e nunca tinha visto antes "essa pessoa". Contou ainda ter recusado outros nomes indicados pelo partido, por questões de competência, e afirmou que o próximo ocupante do cargo será um técnico "sintonizado" com o desempenho da Casa da Moeda. O ministro relatou ainda que Denucci passou por um procedimento administrativo, recorreu, e, recentemente, a multa aplicada foi "diminuída ou eliminada". "Enfim, isso não tinha nenhuma interferência com a função que ele desempenhava. Portanto, não se justificava uma mudança por causa disso."
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