Mantega nega que vá exonerar Cartaxo da Receita Federal
Causou mal estar no Planalto a informação de que o comando da Receita montou uma operação para abafar escândalo da quebra de sigilo
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, negou hoje que pretenda exonerar o secretário da Receita Federal, Otacílio Cartaxo, em meio à revelação da quebra de sigilo de dados da declaração de Imposto de Renda de Verônica Serra, filha do candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra. "Não estou cogitando fazer isso", disse Mantega a jornalistas, ao deixar a sede do ministério.
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O secretário da Receita havia dito ao jornal O Estado de S. Paulo que a sua demissão do cargo depende de uma decisão do ministro da Fazenda. "O cargo pertence ao ministro Mantega, essa pergunta deve ser feita a ele", afirmou Cartaxo. "Nós estamos navegando na crise. Não é uma crise administrativa, é política", disse. Quando a reportagem perguntou se ele tomaria a iniciativa de entregar o cargo, Cartaxo pediu para desligar o telefone.
Causou profundo mal estar no Planalto a informação de que o comando da Receita Federal montou uma operação para abafar o escândalo da quebra de sigilo de membros do PSDB e de Verônica Serra. A operação, noticiada na edição de hoje do jornal teria o objetivo de evitar impacto político na campanha da candidata do PT, Dilma Rousseff.
A reportagem mostrou que a Receita suspeitou de fraude na violação do sigilo fiscal da filha de Serra, mas mesmo assim montou uma operação para abafar o escândalo e evitar impacto político na campanha de Dilma. Em meio ao discurso oficial, iniciado na noite de terça-feira, de que não havia irregularidade, o governo já sabia que a procuração usada para violar os dados de Verônica Serra poderia ser falsa. Os novos documentos da investigação, a que o Estado teve acesso ontem, também provam que a Receita sabia desde o dia 20 de agosto que o sigilo fiscal de Verônica havia sido violado em setembro do ano passado.
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