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Marina diz que quebra de sigilo é fruto de 'banalização do dolo'

A candidata do PV fala em 'descontrole' na Receita em mais críticas sobre a violação de dados sigilosos

05 de setembro de 2010 | 15h 23
Daiene Cardoso, da Agência Estado

RIO BRANCO - A candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, condenou mais uma vez, neste domingo, 5, o episódio sobre o vazamento de sigilos fiscais de 140 pessoas e criticou o que chamou de "descontrole" na Receita Federal. "É isso que dá quando não se tem transparência, se banaliza o dolo", disse a candidata em evento de campanha em Rio Branco, no Acre. Marina manifestou seu desconforto sobre a revelação de que o vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, teve seus dados acessados 10 vezes, e disse que os brasileiros estão vulneráveis.

"Antes de ficar com uma preocupação individual, tenho a preocupação institucional como senadora, como candidata e cidadã, de que se investigue e que possa se punir os culpados, que se assumam responsabilidades com esse descontrole na gestão pública. Aos poucos se está descobrindo que existe muito 'pé de barro' na gestão pública", afirmou.

Marina avaliou que a situação é uma repetição ampliada do episódio da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo da Costa, que culminou com a queda do ministro da Fazenda Antonio Palocci. "Se fosse em qualquer outro país, na Europa ou nos Estados Unidos, o ministro (Guido Mantega) já estaria dando explicações ao Congresso. Lamentavelmente aqui está sendo tratado como brincadeira", disse, ao citar o discurso de Mantega sobre o episódio.

Na opinião da candidata, o vazamento do sigilo fiscal é um sintoma da falta de transparência e descontrole da gestão pública, embora tenha evitado generalizar a questão. "Aos poucos, a falta de transparência e a falta de profissionalização do Estado vai se revelando no grande 'pé de barro' daqueles que pensam que é apenas o poder pelo poder", enfatizou.

Apesar do episódio, Marina disse que manterá sua campanha no nível da discussão de propostas e que não fará "acusações levianas". "Eu quero ganhar as eleições com as instituições. Para que as instituições funcionem, é fundamental o respeito à lei, o respeito ao cidadão e que a gestão pública não fique banalizada pelos erros cometidos que vêm se repetindo ."

Setembro livre

No segundo dia de visita à sua terra natal, Marina participou da comemoração do "Dia da Amazônia" com crianças, lideranças do PV local e sua família. O evento aconteceu nas imediações do Parque Chico e contou com a presença de Ilzamar Mendes, viúva do líder seringueiro morto em 1988, de seus filhos Elenira e Sandino, e da neta Maria Luíza.




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