Marina diz que só discutirá candidatura em 2010
Senadora assina ficha no PV; entre as pessoas que abonaram ato está Elenira Mendes, filha de Chico Mendes
A senadora Marina Silva (PV-AC) afirmou neste domingo (30), em entrevista coletiva em São Paulo, que só no ano que vem discutirá com o PV uma candidatura à Presidência da República. Marina explicou que, desde que iniciou as negociações com a Executiva do PV, deixou claro que a candidatura seria um ponto secundário. Em primeiro lugar, disse ela, vem a revisão do programa do partido. "Fico honrada com o convite para ser candidata e pelo acolhimento popular, mas a minha decisão só será em 2010", afirmou.

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O vice-presidente do PV, Alfredo Sirkis, completou a afirmação da senadora dizendo que, quando Marina diz que sua candidatura será decidida de 2010, é uma resposta contrária à antecipação da campanha eleitoral feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que já definiu seu apoio ao nome da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.
Na visão de Sirkis, Lula prestou um desserviço à sociedade brasileira ao antecipar o processo eleitoral. "Assuntos importantes que deveriam ser debatidos no País foram deixados de lado por causa da campanha a presidente", criticou.
Marina relativizou a importância da força do voto evangélico no País. "Eu sou evangélica e faço questão de professar a minha fé, mas acho que não devemos fazer nenhum apartamento de classes no Brasil." Segundo a senadora, cada eleitor votará de acordo com suas convicções em relação ao que pensa sobre a preservação ambiental, já que esta será uma das principais bandeiras do partido. Segundo Marina, o eleitor faz parte de um Estado que é laico.
A senadora preferiu não entrar na provocação de como seria uma disputa eleitoral de "mulher para mulher" em 2010, levando em conta sua esperada candidatura e a provável participação de Dilma. "Tanto mulheres quanto homens estão dispostos a fazer um debate sobre uma candidatura feminina", afirmou. "O Brasil tem se preparado para isso. A vantagem de ter uma candidatura feminina é que a mulher tem capacidade de dividir a autoria das coisas. Não se deve estabelecer uma guerra entre homens e mulheres."
Ficha
No começo da tarde, Marina discursou ao apresentar sua assinatura de ficha no PV. A senadora defendeu união e militância para mudar o país. Marina encerrou a cerimônia de sua filiação, transmitida pelo site do PV, lembrando da infância no Acre e das dificuldades no início de sua formação política incentivada pela Igreja Católica, quando ainda era "uma menina". E terminou o discurso lembrando o principal slogan de campanha de Barack Obama, presidente dos EUA, ao referir-se à militância: "É isso que faz a mudança", afirmou.
Entre as pessoas que abonaram a ficha de Marina, estava Elenira Mendes, filha de Chico Mendes, o líder seringueiro assassinado em 1988. A plateia recebeu a filiação de Marina com gritos de "Brasil urgente, Marina presidente".
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