Marina fala em punir filiado citado no caso da Receita
A candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, lamentou hoje o envolvimento de um filiado de seu partido no escândalo de violação de sigilos fiscais na Receita Federal. O contador Ademir Estevam Cabral foi apontado como o autor do requerimento de quebra de sigilo de Verônica Serra, filha do presidenciável do PSDB, José Serra. "É uma pessoa periférica, mas haverá rigor, apuração rápida e punição se for constatado o fato ilícito", afirmou.
Marina falou do assunto ao chegar ao debate organizado pelo Colégio Marista em Brasília. Marina disse que Cabral poderá ser expulso do partido, se for comprovada a sua responsabilidade no caso. Antes, ele responderá a uma sindicância perante a comissão de ética do PV.
Filiado ao partido desde 2007, Cabral reside em Francisco Morato, na periferia de São Paulo, onde possui um bar. Foi apontado pelo contador Antonio Carlos Atella como o responsável pelo pedido de violação dos dados das declarações de renda de Verônica Serra, de 2007 a 2009.
Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Antonio Carlos Atella, o falso procurador de Verônica Serra, relatou que Cabral o procurou no ano passado com um lote de pedidos de acesso às declarações de renda. "Eu me lembro bem que ele (Ademir) disse que aquela documentação era para um pessoal de fora de São Paulo que estava com pressa, mas nunca disse que era para fins políticos", contou.
Ao jornal, Cabral afirmou que faz trabalhos em parceria com Atella há cinco anos, mas rechaçou a versão de que tenha sido contratado por emissários de Brasília ou de Minas Gerais. "O Antonio Carlos (Atella) faz pesquisas para mim na Receita e em outros órgãos federais, mas nunca passou pelas minhas mãos documento algum sobre essa pessoa (Verônica)", disse.
Ministro
Marina Silva também voltou a cobrar explicações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que tentou despolitizar a quebra do sigilo fiscal de pessoas ligadas ao PSDB. "Ninguém está encarando essa questão com mais seriedade do que nós, mas não há sistemas invioláveis", declarou o ministro. "Até poucos dias se comprava disquetes em São Paulo com informação da Receita e eu já dei orientações para que a Receita mude o sistema de segurança sempre que houver vazamentos", complementou.
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