Morre embaixador dos EUA no Brasil na época do golpe de 64
Diplomata admitia que governo americano chegou a cogitar intervenção militar no país.

O diplomata e acadêmico americano Lincoln Gordon, embaixador dos Estados Unidos no Brasil entre 1961 e 1966, morreu no último sábado, aos 96 anos de idade, em uma casa de repouso perto de Washington.
Durante os primeiros anos do regime militar, Gordon e o governo americano mantiveram uma relação próxima com as autoridades no poder no Brasil, mas o embaixador sempre negou as acusações de que teria ajudado a promover o golpe de 1964, que derrubou o então presidente João Goulart.
Apesar disso, o diplomata admitiu em 1976 que o governo americano do presidente Lyndon Johnson - que assumiu o poder em 1963, após o assassinato de John F. Kennedy - chegou a se preparar para uma intervenção militar com o objetivo de impedir que um governo de esquerda assumisse o poder no Brasil.
No documento "Um Plano de Contingência para o Brasil", datado de 11 de dezembro de 1963 e liberado para consulta pelo governo americano apenas em 2007, Gordon e o então secretário-executivo do Departamento de Estado americano, Benjamin Head, analisavam os possíveis cenários que poderiam surgir a partir da crise política que atingia o Brasil na época.
Uma das possibilidades previstas pelo texto era a de que João Goulart fosse afastado do poder "por forças construtivas" e que houvesse no Brasil uma "tomada militar interina". O documento sugeria que, caso isso ocorresse, o governo americano deveria adotar uma "atitude construtiva e amistosa" em relação aos militares.
Dias antes do golpe militar, em março de 1964, Gordon também enviou ao governo americano um telegrama em que pedia que fossem adotadas "o quanto antes medidas para preparar um fornecimento clandestino de armas que não sejam de origem americana para os que apoiam Castello Branco em São Paulo".
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