MP aciona Tuma e Maluf por ocultação de cadáveres na ditadura
Ação pede responsabilização pessoal de outras três pessoas pelo desaparecimento de militantes em São Paulo
O Ministério Público Federal em São Paulo (MPF) ingressou nesta quinta-feira, 26, com uma ação civil pública para que seja declarada a responsabilização pessoal de autoridades por suposta ocultação de cadáveres de opositores da ditadura militar (1964-1985) ocorridas em São Paulo, nos cemitérios de Perus e Vila Formosa. Entre os acusados estão o hoje deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) e o senador Romeu Tuma (PTB-SP), além de outras três pessoas. Uma segunda ação civil pública foi movida contra legistas e instituições que teriam contribuído para que as ossadas de mortos e desaparecidos políticos na vala comum de Perus permanecessem sem identificação
As outras três pessoas que o MPF tenta responsabilizar são o médico legista Harry Shibata, ex-chefe do necrotério do Instituto Médico Legal de São Paulo; o ex-prefeito de São Paulo Miguel Colasuonno (gestão 1973-1975); e Fábio Pereira Bueno, diretor do Serviço Funerário Municipal entre 1970 e 1974.
A responsabilização de Maluf e Tuma se deve aos cargos que ambos ocupavam durante o regime militar. Tuma era delegado e chefe do Departamento Estadual de Ordem Política e Social, o Dops, entre 1966 e 1983. Maluf foi prefeito de São Paulo entre 1969 e 1971
A assessoria de imprensa de Maluf divulgou nota na qual o deputado classifica a acusação como "ridícula". "Depois de 39 anos, abordar de forma leviana um assunto dessa natureza é no mínimo uma acusação ridícula", diz a nota.
Procurado pelo estadao.com.br, a assessoria de Tuma não soube informar o paradeiro do senador, e disse que por enquanto não tem uma posição oficial sobre o caso.
O MPF pede que os cinco sejam condenados à perda de suas funções públicas e aposentadorias. Caso sentenciados, os mandatos atuais de Tuma e Maluf não seriam afetados, pois a Constituição impede a perda de mandato em ações civis públicas.
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