Negócio envolveu aliado de Sarney

Miguel Ethel Sobrinho presidiu a Caixa Econômica e foi conselheiro da fundação do senador

Leandro Colon, de O Estado de S. Paulo,

14 Agosto 2010 | 18h50

BRASÍLIA- A transação entre a governadora do Maranhão, seu marido e o Banco Santos envolveu ainda mais um aliado da família Sarney: Miguel Ethel Sobrinho, ex-presidente da Caixa Econômica no governo de José Sarney e, até o ano passado, conselheiro da fundação que leva o nome do presidente do Senado.

 

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Miguel Ethel detém 50% da Participa Empreendimentos, empresa que vendeu as ações dos shoppings São Luís (MA) e Nova América (RJ) à Bel-Sul, empresa administrada por Jorge Murad. Segundo o processo de empréstimo, a Bel-Sul compraria, na época, 5% das ações da Participa no Nova América e 10% da sociedade dela no empreendimento de São Luís.

 

O ex-presidente da Caixa e seu sócio, Walter Luiz Teixeira, foram denunciados em 2007 pelo Ministério Público Federal por lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. Foram alvos da Operação Kaspar 2, que desmontou um esquema de remessa irregular de dólares ao exterior envolvendo bancos, doleiros e empresas.

 

A expressão "W Teixeira" aparece no campo "assunto" na conversa eletrônica - que está nos arquivos do Banco Santos - trocada entre Edemar Cid Ferreira e sua secretária Vera Lucia no dia 3 de agosto de 2004 sobre os dólares transferidos por Roseana e Murad no exterior.

 

O processo sobre a falência do banco mostra que a secretária era responsável por cuidar de boa parte das operações comandadas pelo próprio Edemar.

 

Participação pessoal

 

Os documentos obtidos pelo Estado mostram ainda que Roseana Sarney, então senadora, participou pessoalmente da operação financeira. Ela assina o empréstimo como representante da Bel Sul, ao lado do marido, e como avalista da cédula de crédito bancário.

 

De acordo com o processo financeiro obtido pelo Estado, o dinheiro foi liberado no dia 29 de julho de 2004, mas só em 2007 a empresa da família Sarney começou a pagá-lo. Foram oito TEDs (transferências eletrônicas) entre 15 de janeiro de 2007 e 26 de fevereiro deste ano para quitar a transação no Brasil.

 

Segundo ex-diretores do Banco Santos, Edemar Cid Ferreira precisava de dólares no exterior nos meses que antecederam a quebra do banco, em novembro de 2004. Operação semelhante, por exemplo, realizou em agosto daquele ano com a Odebrecht, segundo o processo de falência do Banco Santos.

 

Em troca do acordo com a família Sarney, Edemar Cid Ferreira teria acertado devolver os recursos à Bel-Sul durante o pagamento das prestações. Segundo ex-funcionários próximos a Edemar, ele acreditava, naquele período, que ainda poderia salvar o Banco Santos.

 

Hoje, Roseana, candidata à reeleição, não é mais sócia da Bel-Sul. Passou sua participação à filha, Rafaela. A administração continua nas mãos do seu marido, Jorge Murad.

 

Em 2002, Roseana perdeu a chance de disputar a Presidência da República depois do "escândalo Lunus", quando uma operação da Polícia Federal encontrou R$ 1,3 milhão na empresa Lunus, também de Roseana e seu marido.

 

Na época, Jorge Murad assumiu a responsabilidade pelo dinheiro e afirmou que os recursos seriam usados na campanha da mulher.

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