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Negromonte aparenta constragimento ao participar de evento com Dilma

Titular das Cidades deve ser um dos nomes que deixarão a Esplanada na reforma ministerial

30 de janeiro de 2012 | 17h 15
Tiago Décimo, correspondente de O Estado de S.Paulo

CAMARAÇI - Alvo de especulações sobre sua permanência à frente do Ministério das Cidades, Mário Negromonte, do PP da Bahia, aparentava constrangimento ao participar, junto com a presidente Dilma Rousseff, do governador da Bahia, Jaques Wagner, e de cinco colegas de ministério, de um evento em Camaçari, na manhã desta segunda-feira, 30.

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Dilma elogiou a atuação de Negromonte em seu discurso, mas deve tirá-lo do cargo no Ministério - Roberto Stuckert Filho/PR
Roberto Stuckert Filho/PR
Dilma elogiou a atuação de Negromonte em seu discurso, mas deve tirá-lo do cargo no Ministério

A presidente Dilma Rousseff ainda tentou amenizar a situação. Durante o discurso na cerimônia de assinatura da ordem de serviço para o início das obras de revitalização urbanística da Bacia do Rio Camaçari - obra de R$ 275 milhões -, ela comentou, de forma elogiosa, a atuação de Negromonte à frente do ministério.

"Queria cumprimentar os ministros de Estado que me acompanham (eram seis, na cerimônia) e vou começar cumprimentando o ministro Mário Negromonte, que no meu governo tem sido responsável pela política de urbanização de favelas, habitação, saneamento e proteção de encostas", disse a presidente, no início do discurso.

Além disso, o ministro foi o único citado nominalmente por Dilma durante sua fala, após os cumprimentos iniciais. No fim do discurso, de pouco mais de 15 minutos, por exemplo, Negromonte foi o único nominado na lista de responsáveis pela obra. "O governador (Jaques Wagner), o prefeito (de Camaçari, Luiz Caetano), o ministro Negromonte, os demais ministros, a Caixa estão de parabéns pelo projeto." Logo após a fala, Dilma o cumprimentou.

Único ministro chamado a discursar, porém, Negromonte foi econômico com as palavras. Nos quatro minutos em que esteve na frente do palco, limitou-se a cumprimentar os integrantes dos governos federal, estadual e municipal e deputados presentes e a ressaltar a obra. "É tão importante que ela (a presidente) veio acompanhada de seis ministros de Estado, um fato inusitado."

Além de Negromonte, participaram do evento o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, das Relações Exteriores, Antonio Patriota, do Desenvolvimento Agrário, Afonso Florense, e da Promoção da Igualdade Racial, Luiza Bairros.

Especulação. A especulação em torno da saída de Negromonte do Ministério das Cidades ganhou força na Bahia, nas últimas semanas, depois que o governador Jaques Wagner, um dos fiadores da indicação do ministro, deixou de defender sua permanência no cargo.

No fim de novembro, durante evento em Salvador, Wagner chegou a fazer uma defesa enfática do ministro, chamando uma das denúncias envolvendo Negromonte de "ridícula" e alegando "muito ciúme" de políticos de outros Estados para a situação. "Falam que tem muito ministro baiano, então toda hora dizem que um vai cair, mas, se Deus quiser, a energia baiana vai segurar todos vocês lá", disse Wagner ao ministro, na época.

Desde o início do ano, porém, o discurso do governador mudou. Frases como "quem decide (a permanência do ministro) é a presidente" e "meu relacionamento com o governo (federal) se dá principalmente com a presidente" passaram a ser as mais comuns de Wagner quando perguntado sobre o assunto.

Além disso, o governador passou a atribuir a indicação de Negromonte ao governo exclusivamente ao PP. "Quando ele foi para o ministério, deixei claro que era uma indicação do PP", disse Wagner, na noite de domingo, logo após a cerimônia que marcou o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, realizada em Salvador.

Depois do evento de domingo, Wagner e Dilma jantaram no Palácio de Ondina, residência oficial do governador. Entre os temas da pauta estava a permanência de Negromonte. "Pode ser que eu trate do assunto, como um interesse da Bahia e dos baianos, mas essa caneta não me pertence", disse Wagner, antes do encontro.




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