Odebrecht também vai produzir os submarinos
Empreiteira brasileira também foi escolhida, sem licitação, para fazer estaleiro e uma base naval no Rio
Não foram apenas o governo e as companhias da França que lucrarão - e muito - ao sacramentar os contratos de construção de submarinos no litoral do Rio. A empreiteira Odebrecht terá uma fatia bem maior do que o imaginado nos € 6,7 bilhões que serão desembolsados pelo Ministério da Defesa para equipar a Marinha. Isso porque, além de ter sido escolhida - sem licitação - para construir uma base naval e um estaleiro, a companhia também será parceira do estaleiro francês DNCS na fabricação das embarcações.
A sociedade entre a DCNS e a Odebrecht foi informado no início da noite desta segunda-feira, 7, em Paris. De acordo com a empresa francesa, as duas participarão em joint venture da Itaguaí Construções Navais, à qual caberá a construção dos quatro submarinos convencionais Scorpène e a produção do casco de um submarino nuclear. A associação franco-brasileira, criada em agosto de 2009, terá capital de R$ 10 milhões, com participação de 59% da Odebrecht e de 41% da DCNS, cujos executivos exercerão o controle da gestão.
Para assegurar a produção das embarcações, a Itaguaí empregará 700 operários, encarregados da produção ao longo dos 15 anos de projeto. A previsão é de que o primeiro Scorpène deixe o estaleiro em 2017. Segundo o presidente do Conselho de Administração da DCNS, a concepção dos submarinos será realizada com a participação das equipes de engenheiros brasileiros. A Itaguaí também assegurará a transferência da tecnologia.
Questionado pelo Estado sobre as razões da Odebrecht como associada, Emmanuel Gaudez, porta-voz da DCNS, repetiu um discurso pronto: "A Odebrecht é uma sociedade de primeiro nível que corresponde à realidade do projeto dos submarinos", assegurou. "Suas atividades são complementares às da DCNS, o que faz da Odebrecht um parceiro de confiança."
A afinidade, entretanto, não é tão profunda assim. Diferentemente do estaleiro francês, especialista na produção de armas de guerra, a empreiteira brasileira - que se dedica à construção civil, à engenharia, à produção industrial na área nuclear e os contratos off-shore nas plataformas de petróleo - jamais se aventurou na indústria bélica naval.
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