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Oposição levará representações contra Petrobrás ao MP

Dados da assessoria técnica do PSDB afirmam que o superfaturamento da obra se aproxima de R$ 2 bilhões

10 de novembro de 2009 | 14h 39
Carol Pires, da Agência Estado

Senadores da oposição anunciaram há pouco que ingressarão na Procuradoria-Geral da República, amanhã, com 18 representações apontando irregularidades cometidas pela atual administração da Petrobrás e algumas de suas subsidiárias. O anúncio foi feito pelos senadores Sérgio Guerra (PSDB-PE), Antonio Carlos Magalhães Júnior (DEM-BA) e Álvaro Dias (PSDB-PR), únicos titulares da oposição na CPI da Petrobrás. Eles anunciaram, também, que não participarão mais da CPI.

As representações abordam, entre outros assuntos, denúncias de superfaturamento na construção da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, que, na avaliação de Álvaro Dias, é a irregularidade "mais gritante". Dados da assessoria técnica do partido afirmam que o superfaturamento da obra se aproxima de 2 bilhões de dólares.

Outro assunto abordado pelas representações é o fato de que menos de um ano depois de serem denunciadas pelo Ministério Público por suspeita de fraudes em licitações e contratos de reforma de plataformas petrolíferas, três empresas envolvidas na Operação Águas Profundas da Polícia Federal voltaram a firmar contratos com a Petrobrás. Somadas, as contratações totalizam cerca de R$ 2,3 bilhões.

O senador Álvaro Dias, autor do requerimento de criação da CPI da Petrobrás, explicou que a oposição desistiu das investigações na CPI, porque foi impedida de ter acesso a contratos, prestações de contas e inquéritos policiais. Além disso, sendo o senador, a comissão era realizada sempre em "horário impróprio", coincidindo com as sessões plenárias, o que impedia as reuniões de serem transmitidas pela TV Senado.

"A CPI foi instalada, mas não funcionou. As pessoas foram escolhidas a dedo pelo governo. A relatoria não permitiu que nós falássemos com funcionários de baixo escalão da estatal. A CPI foi palco para narrativas técnicas conceituais que passaram longe das grandes denúncias", disse Dias. "Fomos impedidos de ter acesso a contratos, prestações de contas, inquéritos policiais. Os requerimentos foram rejeitados em bloco. A reunião acontecia em horário impróprio. Foi uma encenação comandada pelo governo, um verdadeiro desrespeito à oposição", complementou.

Álvaro Dias ainda acusou o presidente Lula de estar por trás da blindagem feita pela base governista contra as investigações envolvendo a Petrobrás. "Lula comandou este processo. Sabe por quê? Porque o escândalo é descomunal. E o rombo na Petrobrás com todas as irregularidades é imensurável", disse.

O senador Sérgio Guerra observou também que a Petrobrás aumentou a verba com publicidade a partir de agosto, quando foi instalada a CPI. "E essa movimentação toda por causa de três brasileiros sentados ali que sequer puderam aprovar uma convocação", disse o senador. "A gente nunca quis atrapalhar a vida da Petrobrás porque atrapalhar a vida dela é atrapalhar a vida de milhares de acionistas. Nós queremos uma Petrobrás forte, mas não queremos uma Petrobrás que não seja investigada".




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