Para comunidade quilombola, trabalhar significa ficar longe da família
Piauiense perdeu o nascimento dos filhos porque estava trabalhando em grandes obras em outros Estados.

Adelvan da Paixão, de 30 anos, comprou uma moto, um guarda-roupas de seis portas e uma cama de casal depois que voltou de viagem.
Trabalhando como armador na construção da hidrelétrica de Jirau, em Porto Velho, Rondônia, ganhava pouco mais de R$ 2 mil por mês.
No povoado Mimbó, conhecida comunidade quilombola no Piauí, a 150 quilômetros de Teresina, onde vive, ele não conseguiria ganhar mais do que algumas diárias de cerca de R$ 25 em um mês. Lá, a única opção de trabalho seria fazer pequenos serviços na roça, como levantar uma cerca ou fazer carvão, diz.
Assim como moradores de outras pequenas cidades no Nordeste, Adelvan e muitos homens da nova geração no Mimbó viajam centenas de quilômetros para passar longas temporadas fora de casa, indo até onde há trabalho na construção civil.
Eles são atraídos para as grandes obras de infraestrutura que são uma das facetas do crescimento econômico nacional registrado nos últimos anos, já que o desenvolvimento ainda não chegou a suas próprias cidades.
"Desenvolvimento, mesmo, aqui não tem. É só lá fora mesmo que tem", diz Adelvan.
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