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Para defesa, prisão de Arruda dependia de aval do Legislativo

No julgamento do habeas corpus do governador do DF, advogados irão argumentar que detenção foi ilegal

04 de março de 2010 | 14h 56
estadao.com.br

A estratégia dos advogados do governador licenciado do Distrito Federal (DF), José Roberto Arruda (sem partido), para reverter nesta quinta-feira, 4, no Supremo Tribunal Federal (STF), a prisão preventiva decretada no último dia 11 pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), terá como base argumentos que procurarão provar a ilegalidade da medida. Caso o STF opte pela manutenção da prisão, a defesa do governador deverá utilizar eventuais votos favoráveis à sua soltura para tentar um novo recurso no STJ.

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A equipe de defensores do governador licenciado irá afirmar que a prisão de Arruda só poderia ter ocorrido com a autorização da Câmara Legislativa do DF. "É farta a jurisprudência do STF no sentido de não ser possível iniciar ação penal contra governador sem licença prévia da respectiva Casa Legislativa", dizem os advogados em suas alegações iniciais.

As alegações dos advogados do governador licenciado incluem ainda mostrar que o jornalista Edmilson Edson dos Santos, o "Sombra", não era testemunha no inquérito da Operação Caixa de Pandora, mas investigado, e que, portanto, não houve obstrução à Justiça, como argumentou o Ministério Público no pedido de prisão de Arruda. O STJ decretou a prisão do governador após a Polícia Federal (PF) prender em flagrante um servidor do governo do DF que tentou subornar o jornalista.

Outro ponto que será explorado pela defesa de Arruda é o argumento de que houve ausência de fundamentação da prisão pela autoridade judicial, no caso o relator do processo no STJ, Fernando Gonçalves, "com a mera reprodução textual do pedido de prisão preventiva subscrito pelo Ministério Público". Nesse caso, segundo os advogados de Arruda, mesmo concordando com o pedido do MP, Gonçalves deveria ter tecido argumentação própria em favor da prisão.

Por fim, os advogados de Arruda irão argumentar que seu direito de ampla defesa foi violado, pois seus defensores não foram alertados da reunião do Órgão Especial do STJ que decidiu pela prisão, nem houve oportunidade dela se manifestar. Além disso, dizem que a determinação de sua prisão preventiva baseia-se em "investigação criminal inconclusa, precipitada e sem que sequer o paciente tenha sido ouvido".

Promessa de licença

Com início marcado para a tarde desta quinta-feira, o julgamento será a última cartada de Arruda no STF para sair da prisão sem renunciar ao cargo. Os ministros do tribunal, receberam na quarta-feira, 3, um documento assinado pelo governador em que ele se defende das acusações e assume o compromisso de manter-se, em caso de soltura, licenciado do cargo até o fim das investigações.A mesma promessa foi feita em carta enviada à Câmara Legislativa, que também vota nesta quinta a abertura formal do processo de impeachment de Arruda.

Apesar das promessas e dos argumentos jurídicos, os advogados, preparados para uma derrota no STF, já articulam os caminhos que tomarão se isso ocorrer. São duas as possibilidades imediatas: pedir a revogação da prisão ao STJ, responsável pelo cárcere do governador, ou uma saída médica, em que Arruda seria transferido para uma clínica particular sob a condição de preso.




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