Para Dirceu, mídia 'teme concorrência'

Homenageado pela CUT, ex-ministro diz que 'País passa por batalha na comunicação social'

ALFREDO JUNQUEIRA, O Estado de S. Paulo

13 Dezembro 2010 | 23h07

RIO - O ex-ministro da Casa Civil e deputado federal cassado José Dirceu (PT-SP) afirmou nesta segunda-feira que os grandes veículos de imprensa temem a concorrência de novas empresas privadas. Em discurso durante o evento "Democracia e Liberdade Sempre", promovido pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), o líder petista disse ainda que o País passa por uma batalha no campo da comunicação social.

"Não é uma batalha simples. E não é uma batalha só de uma forma de luta, só de um campo. Vai ter muitas nuances, muitas formas", afirmou. "O que eles não querem é concorrência. É o que eles temem. Não é imprensa alternativa, de esquerda ou sindical. É a própria concorrência capitalista. Essa é a questão fundamental", acrescentou.

Questionado posteriormente se estava defendendo a abertura do mercado brasileiro para a entrada de grupos estrangeiros no mercado de comunicação, Dirceu negou. Disse que estava apenas defendendo a ampliação do número de veículos no País.

Homenageado com o Prêmio CUT Liberdade e Democracia Sempre!, o petista ainda disse que a vitória da presidente Dilma Rousseff representava a chegada definitiva da geração de 68 ao poder. Dirceu não quis, no entanto, fazer declarações sobre o futuro governo, para, segundo ele, evitar polêmica.

O ex-ministro ainda lamentou o fato de que uma turma de formandos da Academia Militar das Agulhas Negras tenha decidido homenagear o ex-presidente Emílio Garrastazu Médici.

Ao longo de seu discurso, o petista também defendeu como principais bandeiras políticas a ampliação da distribuição de renda. Ele reconheceu que muitas das lutas não poderão ser encampadas pelo governo.

Lutas. Para uma plateia formada basicamente por militantes políticos e sindicalistas ensinou: "Vamos travar lutas que nem sempre o governo poderá travar. E nem sempre nós temos o parlamento. Saber conduzir essas lutas e combiná-las com apoio ao governo, com apoio às alianças que o governo faz, é a grande arte da política que nós estamos conduzindo desde o começo da década de 90", afirmou Dirceu.

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