Para ministro, crise dos cartões é 'escandalização do nada'
Em depoimento à CPI, Jorge Hage defendeu os cartões sob o argumento de que há transparência e controle
O ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Jorge Hage classificou nesta quarta-feira, 19, de "escandalização do nada" a crise gerada com o uso irregular de cartões corporativos do governo federal. "O folclórico, o pitoresco sempre chamam atenção. Se fala em uma farra, mas estão fazendo a escandalização do nada", disse em depoimento à CPI dos cartões. Veja também: Entenda a crise dos cartões corporativos Governo tenta evitar quebra de sigilo na CPI dos Cartões Sem quebra de sigilo, Marisa Serrano ameaça deixar CPI
Hage defendeu o uso dos cartões sob o argumento de que a transparência e o controle são maiores e disse que a CGU estuda uma forma de colocar no Portal da Transparência os dados de gastos feitos com saques em dinheiro de cartões corporativos.
"Vamos trabalhar melhor para colocar a nota no portal e abrir as contas também na parte de saque. Vamos chegar lá brevemente", disse. "Com isso estaremos com 80% a 90% de transparência das contas de suprimento de fundo e teremos o controle social, essa é a idéia", acrescentou.
Jorge Hage disse ainda que a maioria dos gastos com cartão é de "pequena monta, seja no valor total, seja no valor individual". Segundo ele, 53% dos gastos são menores que R$ 300, 13% estão entre R$ 300 e R$ 500 e apenas 9% são maiores que R$ 2 mil.
O ministro apresentou dados sobre suprimentos de fundos e cartão corporativo no Executivo. No ano passado, foram R$ 99,50 milhões gastos com contas tipo B e R$ 78,03 milhões com cartão corporativo. Do total gasto com cartão corporativo, R$ 58,77 milhões foram sacados em dinheiro e R$ 19,25 milhões com cartão."Verificamos que, embora o saque fosse previsto como exceção, o saque era usado como regra", disse. Valor fixo em viagens Ainda durante o depoimento, Hage defendeu que os ministros, em viagens, recebam um valor fixo nas diárias. "Não tem por que suprimir a diária. Com o cartão, cabe ao ministro decidir se irá se hospedar no Copacabana Palace ou em um hotel de quatro ou três estrelas", disse. "Tem de ser um valor fixo, se ele quiser um lugar melhor, que pague do próprio bolso", completou.
Ele considerou como "inqualificável" a proposta feita na última terça pelo representante do Ministério Público no Tribunal de Contas da União de suspender o uso de cartão corporativo. "Não tenho outra expressão. É inqualificável", disse.
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