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'Pela 1ª vez, Lula tem mais impacto do que qualquer cacique do PSDB'

Fernando Abrucio, doutor em Ciências Políticas pela USP e professor da FGV, avalia em entrevista ao 'estadão.com.br' as perspectivas do PT nas eleições deste ano no Estado de São Paulo

25 de janeiro de 2012 | 22h 07
Bruno Siffredi, do estadão.com.br

A menor dependência de São Paulo no uso de recursos federais é um dos motivos que levam o PT a crescer menos em São Paulo do que no resto do País. Com base nessa avaliação, o cientista político e professor da FGV Fernando Abrucio analisa que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem mais poder de influência no Estado do que a presidente Dilma Rousseff. Para ele, a presidente não tem relação com a política regional de São Paulo e Lula tem.

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Com base nos números das últimas eleições, o cientista avalia que o poder dos governadores na indicação do candidato tem peso na eleição nas pequenas cidades que, segundo ele, são muito ligadas ao governo do Estado.

Para Abrucio, é bem provável que o Lula "banque mesmo o Luiz Marinho (prefeito de São Bernardo do Campo) como candidato [em 2014]".

Leia a entrevista abaixo:

 

Como você vê a situação do PT no Estado de São Paulo, nas regiões distantes das áreas de maior influência do partido?

Na verdade, há duas divisões que devemos fazer. Uma é entre a região metropolitana e a região não metropolitana. Outra é entre cidades grandes e cidades médias e pequenas. O PT está crescendo não só para além da região metropolitana, mas para além das cidades grandes, mas ainda é um partido vinculado à Grande São Paulo e às cidades grandes do interior (São Carlos, Santos e Ribeirão Preto). Analisando todo o Estado, PSDB e PMDB têm mais prefeituras do que o PT. O que contribui para essa diferença são as cidades pequenas, ainda muito ligadas ao governo do Estado. Os governadores têm mais força nas cidades pequenas e o PSDB já está instalado em São Paulo há, pelo menos, 15 anos. Se compararmos (o quadro de prefeituras) em um universo de dez anos, o PT praticamente dobrou o número de prefeituras fora da Grande São Paulo. Não é pouco, mas é um crescimento menor do que o PT tem no resto do País. O PT cresceu muito no Nordeste, no Norte. De certa maneira no Sul também, mas sobretudo no Nordeste e no Norte o PT cresceu mais que no Estado de São Paulo.

Quais as razões disso?

Há duas razões básicas. A primeira é que no Estado de São Paulo existe uma hegemonia do PSDB há 15 anos. A segunda é que o Estado depende menos do governo federal. O PT cresce mais em prefeituras e em lugares que dependem mais do governo federal, como Nordeste e Norte. No Sul o PT, de alguma maneira, teve um espaço maior para crescer porque as hegemonias nos três Estados do Sul não são tão claras como a do PSDB em São Paulo. São Paulo é um lugar mais difícil mesmo para o PT, comparado ao Nordeste, Norte e mesmo ao Sul do País. Um dos desafios do PT é crescer mais no Estado de São Paulo para além das cidades grandes e representativas. Em termos de eleitorado, se você analisa a eleição presidencial, o eleitorado de PT e PSDB é praticamente dividido. Já na eleição estadual, é bom lembrar que o Aloizio (Mercadante, que disputou o governo estadual em 2010) quase levou para o segundo turno a última eleição. Do ponto de vista do número de eleitores - e aí contam muito as grandes cidades e a Grande São Paulo - o PT teve em torno de 40% dos eleitores no Estado de São Paulo na eleição presidencial e na eleição para governador. Isso não se reflete na conquista dos municípios, mas se o PT conquistar os municípios é provável que ajude a campanha presidencial e estadual em 2014.

Como a conquista dos municípios no Estado ajudaria na campanha de 2014?

Em São Paulo acontece o inverso do que ocorre no Nordeste, onde a campanha estadual e federal tem ajudado o PT a crescer nos municípios. Acho que em São Paulo, pela hegemonia tucana e pela autonomia federativa do Estado em relação ao governo federal, o PT tem que crescer primeiro nos municípios para ajudar esse processo. Em 2014, o PT não precisa ganhar em São Paulo para eleger um presidente da República. Isso está provado, (o PT) precisa manter o patamar em torno de 40%, 45% para a Dilma se reeleger. A verdade é que o PT tem o sonho de ganhar o Palácio dos Bandeirantes e para isso o PT precisa continuar tendo um bom desempenho. E tem tido. Varia um pouco, perde uma prefeitura aqui, ganha uma acolá, perdeu Santo André na última eleição mas deve ganhar na próxima. Se o PT mantiver essa força nos municípios grandes da região metropolitana de São Paulo, continuar o crescimento no interior do Estado e em cidades de médios para pequeno porte, começa a ficar em risco a reeleição do governador Alckmin.




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